Presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, fala com a imprensa na Cidade do Panamá |
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta quinta-feira, no Panamá, que o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, viajará para Honduras "não para negociar". Segundo Zelaya, o objetivo da viagem de Insulza é informar as autoridades "golpistas" do ultimato dado pela entidade para que a ordem constitucional no país seja restituída.
Em entrevista no hotel em que se hospedou ontem na capital panamenha, Zelaya disse que Insulza falará com as autoridades "golpistas" de Honduras "com a autoridade que lhe foi dada por todos os chefes de Estado da América".
Depois, o secretário-geral da OEA falará de suas gestões numa assembleia com os países-membros da entidade, acrescentou o presidente deposto.
"Ele vai comunicar o ultimato, não vai negociar", afirmou Zelaya sobre as 72 horas que a OEA deu às autoridades hondurenhas para que restituam a ordem constitucional.
Segundo o chefe de Estado deposto, Insulza "cumprirá sua incumbência" e, no sábado, a OEA deverá saber qual a posição do "governo repressivo que tomou o poder com as armas em Honduras". A partir daí, a entidade definirá os próximos passos que vai tomar.
A resolução dos países da OEA vem "desencadear todo um processo de deslegitimação total" das autoridades que "usurparam o poder" em Honduras, acrescentou.
"Se os golpistas não cederem, o povo e a história não irão perdoá-los", afirmou.
Zelaya responsabilizou as potências mundiais pelo futuro das democracias e disse que os países perderiam legitimidade se "aceitassem relações com um governo surgido do crime".
"Minha intenção jamais será promover a violência. Não uso armas, não sou agressivo. Sou muito tolerante e tenho muita capacidade de diálogo", declarou.
O governante deposto disse ainda que várias autoridades internacionais o acompanharão em seu retorno a Honduras. Entre elas, citou Insulza, o nicaraguense Miguel D'Escoto - presidente da Assembleia Geral da ONU -, a prêmio Nobel guatemalteca Rigoberta Menchú, vários ministros das Relações Exteriores e um grupo de artistas.
Zelaya foi ao Panamá assistir à posse do novo presidente deste país, Ricardo Martinelli. Na entrevista desta quinta-feira, ele disse que, quando deixar a capital panamenha, seguirá para um país do "sistema interamericano", entre os quais mencionou a Nicarágua, El Salvador e Guatemala.
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