Soldado americano carrega equipamento antes de deixar base militar em Baquba no Iraque |
Ligia Hougland
Direto de Washington
Começou nesta semana a retirada das tropas de combate dos EUA de todas as principais cidades do Iraque, acertado entre Bagdá e Washington, ainda durante a administração de George W. Bush, em dezembro passado. Segundo o Pentágono, este é o momento certo para as forças militares americanas se retirarem do país. "A situação é suficientemente estável", disse Geoff Morrell, secretário de imprensa do Pentágono à reportagem do Terra, que publica uma série de matérias sobre a saída das tropas. Mas nem todos os militares concordam. Para alguns, se a retirada for precipitada, os índices de violência no país podem voltar a subir.
O general Robert Caslen, responsável pelo comando das tropas americanas localizadas na região norte do Iraque, reforça. "Com a nossa saída, toda a responsabilidade cai sobre as forças de segurança iraquianas, e elas se sentem preparadas para isso." No entanto, muitos iraquianos, bem como especialistas em inteligência, temem um recrudescimento nos ataques por parte dos insurgentes. Eles acreditam que os americanos estão se retirando antes de completarem a tarefa de acabar com o terrorismo no Iraque.
"Os assassinatos vão voltar a acontecer. Os terroristas vão mostrar que as forças iraquianas não são capazes de assumir esta responsabilidade", disse ao jornal Washington Post, Kadhum Irdobee al-Quraishi, da cidade de Sadr, que já trabalhou em colaboração com os soldados americanos. O departamento de Defesa dos EUA discorda. "Os iraquianos estão prontos e são capazes. Os sucessos atingidos e a segurança cada vez maior são uma prova do progresso das forças iraquianas e de sua dedicação à soberania da nação", afirma o tenente-coronel, Patrick Ryder.
Na semana passada, houve dois bombardeios pesados, na região sul de Kirjuk e na cidade de Sadr, resultando na morte de 400 civis. "Sem dúvida, isso é ruim, mas, de modo em geral, os níveis de violência são iguais aos vistos em 2003, os mais baixos da história deste conflito", fala Morrell. O próprio militariado americano está temeroso com relação às possíveis consequências da retirada das tropas neste momento. "Bush antecipou-se muito ao invadir o Iraque. O perigo agora é nos precipitarmos novamente, ao sair do país", alerta um major da Marinha que não quis ser identificado.
Desde outubro de 2008, foram fechadas, no Iraque, mais de 120 bases e instalações militares americanas, incluindo 30 neste junho. As tropas americanas que permanecerão nas cidades iraquianas terão a função única de aconselhar, treinar e oferecer suportes ao exército e à polícia do país. "Mas isso não quer dizer que nunca mais colocaremos o pé em uma cidade iraquiana com uma missão de combate", alerta Morrell.
De acordo com o pacto entre os EUA e o Iraque todas as tropas americanas devem ser retiradas até 31 de dezembro de 2011. O presidente americano promete que isso, na realidade, será realizado até o final de agosto de 2010.
Nesta primeira fase, foram retirados do Iraque 131.000 soldados americanos dedicados ao combate. O Pentágono estima que, em agosto de 2010, haverá de 35.000 a 50.000 soldados ainda em solo iraquiano. Alguns deles serão movidos para o Afeganistão, que, atualmente, conta com a presença de 57.000 soldados americanos. Barack Obama quer concentrar o poder militar na busca por membros da Al Qaeda e Osama Bin Laden.
Até 26 de junho deste ano, 4.306 soldados americanos morreram durante a missão no Iraque. O departamento de Defesa dos EUA não mantém estatísticas relativas ao número de mortes de civis.
O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, declarou feriado nacional em 30 de junho, batizando a data de Dia da Soberania Nacional. O general Ray Odierno, principal comandante do exército dos EUA no Iraque, também está celebrando. "Os dias negros dos anos anteriores ficaram para trás", diz ele.
Especial para Terra