Governo de Honduras rejeita ultimato da OEA

02 de julho de 2009 • 08h15 • atualizado às 08h49

O novo governo de Honduras rejeitou pedidos internacionais para reconduzir ao poder o presidente deposto Manuel Zelaya. A Organização dos Estados Americanos (OEA) deu prazo até o fim de semana para que as autoridades hondurenhas dessem passos nesse sentido, dizendo que, caso contrário, o país poderá ser suspenso da entidade.

Zelaya, que está no Panamá para a posse do presidente Ricardo Martinelli, adiou o seu plano de voltar ao país nesta quinta-feira e disse: "Eu vou respeitar aquelas 72 horas que a OEA pediu."

O toque de recolher imposto em Honduras tornou-se ainda mais rigoroso, permitindo a detenção de indivíduos por 24 horas sem acusação, em meio à continuação de protestos pró e contra a reinstauração de Zelaya.

O exército depôs Zelaya no domingo por causa dos planos do então presidente de realizar uma reforma constitucional. Opositores dizem que a medida tinha o objetivo de prolongar a permanência dele no cargo.

Roberto Micheletti, presidente do Congresso empossado como presidente interino do país, reagiu ao ultimato da OEA dizendo: "Nós não podemos negociar nada."

"Nós não podemos chegar a um acordo porque há uma ordem para a captura do ex-presidente Zelaya por crimes que ele cometeu quando era uma autoridade."

Micheletti voltou a negar que a deposição de Zelaya tivesse sido um golpe de Estado.

"O Congresso todo tomou uma decisão e decidiu substituí-lo, e é por isso que é chamado 'sucessão constitucional' e eles me escolheram para substituir Zelaya", afirmou.

A expulsão do presidente vem sendo amplamente condenada por líderes que vão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aos aliados regionais de Zelaya, inclusive o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os Estados Unidos suspenderam a cooperação militar com Honduras e disseram que vão decidir na próxima semana se vão suspender a ajuda ao país.

O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento suspenderam novos empréstimos para Honduras e alguns países europeus chamaram seus embaixadores em Tegucigalpa de volta.

O diretor da OEA, José Miguel Insulza, condenou o que qualificou como "um golpe no velho estilo", depois de uma reunião de emergência do agrupamento regional na terça-feira.

"Nós precisamos demonstrar claramente que golpes militares não são aceitáveis", afirmou.

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