Apesar de os dois últimos grandes acidentes aéreos mundiais terem acontecido com aeronaves Airbus, que caíram no mar em más condições meteorológicas, não há nenhuma relação entre eles, de acordo com um analista ouvido pelo jornal britânico The Guardian. "Não há a mínima relação entre este acidente e o do A330", disse Kieran Daly, editor da Inteligência em Transporte Aéreo.
O avião que caiu hoje (noite de ontem no Brasil) no Oceano Índico, com 153 pessoas a bordo, era um A310 operado pela companhia iemenita Yemenia Air. Há um mês, um A330 da Air France caiu no Oceano Atlântico, com 228 pessoas. Somente 51 corpos foram resgatados pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Marinha, que suspenderam as buscas na última sexta-feira.
"O A310 e o A330 são muito diferentes, o A310 pertence a uma geração anterior de aviões. Não é um avião fly-by-wire (sistema que dispensa os manches de controle, substituídos por side-sticks, mais parecidos com joysticks usados em vídeo games. Além disso, os computadores do avião são capazes de assumir o controle da aeronave caso alguns parâmetros sejam desrespeitados) e se parece muito com todas as outras aeronaves pré-fly-by-wire, como os Boeings 737 e 767", disse Daly.
Uma das linhas de investigação para as causas do acidente com o voo da Air France aponta que poderia ter ocorrido um problema com o sensor de velocidade da aeronave. Após o acidente, a companhia informou que havia recomendado no ano passado a troca destes sensores.
Pilotos familiarizados com aviões A330 têm alertado que a tentativa de operar durante turbulências, como a que teria enfrentado o voo 447 entre o Brasil e a França, sem ultrapassar seu limite de velocidade ou de avaria do motor, é extremamente difícil.
Redação Terra