Conselho admite discrepâncias em 3 milhões de votos no Irã

21 de junho de 2009 • 22h04 • atualizado em 22 de junho de 2009 às 08h04
Irã registrou protestos e mortes após a suspeita de fraude nas eleições Foto: AFP
Irã registrou protestos e mortes após a suspeita de fraude nas eleições
20 de junho de 2009
Foto: AFP

O Conselho de Guardiães do Irã admitiu na manhã desta segunda-feira que nas eleições do dia 12 de junho foram cometidas irregularidades nas votações, informou o site do canal estatal de televisão Press TV. Segundo o canal, o órgão assegurou que em 50 cidades votaram mais eleitores do que os inscritos, o que implica em mais de 3 milhões de eleitores, reconheceu o porta-voz do Conselho, Abbas-Ali Kadkhodaei.

A afirmação é feita em resposta às queixas apresentadas perante o conselho pelo candidato conservador, Mohsen Rezaei. O citado conselho, integrado por seis clérigos e seis juristas, é o organismo encarregado de validar os resultados eleitorais apresentados pelo Ministério do Interior para que sejam oficiais.

"As estatísticas proporcionadas por Rezaei nas quais ele reivindica que mais de 100% dos eleitores registrados emitiram seu voto em 170 cidades não são exatas, o incidente ocorreu em apenas 50 cidades", disse Kadkhodaei.

Em seus 30 anos de existência, o conselho jamais tomou uma decisão de tal calibre como a anulação do pleito, exigida pela oposição. Os resultados oficiais dão 62,6% dos votos ao atual presidente iraniano, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, e ao líder opositor reformista, Mir Hussein Moussavi, 33,75% dos votos.

Moussavi não aceita estes resultados que levaram ao país protestos diários e confrontos entre a oposição e as forças de segurança, deixando um saldo de 20 pessoas mortas, segundo dados oficiais. A situação se agravou neste sábado depois que pelo menos 13 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas por causa da repressão policial durante uma passeata de protesto da oposição na qual um número indeterminado de manifestantes foram detidos.

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