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 Nobel da Paz iraniana critica França por proibir véu muçulmano
14 de setembro de 2004 12h37

A iraniana Shirin Ebadi, vencedora do prêmio Nobel da Paz, criticou hoje a decisão da França de proibir o uso de véus por alunas muçulmanas nas escolas públicas do país e disse que tal medida fortalecia os fundamentalistas.

Enquanto isso, Ebadi, uma advogada iraniana envolvida na defesa dos direitos das mulheres e das crianças em seu país, elogiou a tolerância religiosa da Áustria e dos países escandinavos. "Nesses países, os muçulmanos são tratados com cordialidade e respeito", afirmou Ebadi em uma entrevista coletiva concedida em Viena, onde participava de uma conferência acadêmica. < p>"Por isso, os problemas (do fundamentalismo) não existem nesses locais", afirmou, em comentários feitos por meio de um tradutor. A proibição de usar véus em escolas públicas francesas entrou em vigor no início deste mês, e apenas um pequeno número de garotas muçulmanas contestou a lei. Recentemente, militantes islâmicos no Iraque sequestraram dois jornalistas franceses para exigir que o país mude de idéia na questão.

"Quando se combate essas pessoas com a força, isso faz com que elas se fechem em grupos", disse Ebadi. "E isso, em troca, leva ao fundamentalismo". A iraniana recebeu o Nobel da Paz em 2003.

Ebadi, que concedeu a entrevista coletiva sem o véu no cabelo, disse que as muçulmanas deveriam decidir se querem ou não cobrir a cabeça. Ela não comentou o fato de que poucas mulheres e meninas muçulmanas violaram a lei aprovada na França.

O país europeu proibiu o uso acintoso de símbolos religiosos nas escolas públicas como reação à crescente influência do fundamentalismo islâmico entre os cinco milhões de muçulmanos que vivem no país e à crescente tensão entre jovens muçulmanos e judeus nas escolas. Além do véu muçulmano, entre os símbolos banidos estão a cruz cristã e o solidéu judaico.

Reuters
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