Oposição de Chávez pede à OEA investigação de "fraude" eleitoral

09 de setembro de 2004 • 23h23 • atualizado às 23h23

Pascal Fletcher

Caracas


A oposição venezuelana pediu à Organização dos Estados Americanos (OEA) que investigue as denúncias de que o presidente Hugo Chávez cometeu "fraudes maciças" para vencer o plebiscito do mês passado, convocado para validar o mandato presidencial.

Representantes da oposição venezuelana se reuniram, em Washington, com o secretário-geral da OEA, Cesar Gaviria, para lhe entregar um relatório que, segundo eles, comprova irregularidades e fraude cometidas no plebiscito de 15 de agosto.

A OEA aprovou resolução, no mês passado, endossando o resultado da votação, que deu maioria a Chávez e foi aprovado pelos observadores internacionais. Mas Gaviria, ex-presidente da Colômbia, criticou Ho Comitê Eleitoral da Venezuela, acusando-o de ser muito politizado.

O resultado do plebiscito representou uma derrota para a oposição que acusa Chávez de adotar um regime esquerdista, "que ameaça conduzir o quinto maior exportador de petróleo do mundo para um regime comunista no estilo cubano".

De acordo com a denúncia apresentada à OEA, "o governo de Chávez, com o apoio de autoridades tendenciosas do serviço eleitoral, manipulou registros de eleitores, violou as regras e programou as máquinas de apuração eletrônica para ajudar o presidente a conquistar os 59 por cento dos votos".

Pompeyo Marquez, da Coordenação Democrática, disse à Reuters, em Caracas, que o documento entregue à OEA responde à oferta de Gaviria de levar em conta "toda evidência séria de fraude".

"O caso venezuelano tinha sido considerado fechado... isto pode significar que será reaberto", disse Marquez.

"Para muitas pessoas, este drama acabou e a cortina desceu. Este fato só será alterado por alguma novidade baseada em provas concretas", disse Michael Shifter, vice-presidente do grupo "Diálogo Interamericano", organização dedicada ao estudo dos problemas do continente.

Isto significa que a OEA provavelmente vai esperar por evidências mais concretas — prometidas pela oposição para dentro de 30 dias — antes de decidir pela abertura de uma investigação.

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