inclusão de arquivo javascript

 
 

EUA e França tiveram casos como o da menina criada por cães

30 de maio de 2009 14h39

A pequena Natasha que, segundo seus médicos, já interage com outras crianças mas ainda não está falando. Foto: AFP

A pequena Natasha que, segundo seus médicos, já interage com outras crianças mas ainda não está falando
Foto: AFP

A imprensa russa que acompanha o caso da menina da cidade de Chita, na Sibéria, e que teria sido criada no meio de cães e gatos, vem comparando a pequena Natasha a uma espécie de Mogli da Sibéria em referência ao personagem do autor britânico Rudyard Kipling da obra O Livro da Selva. A história que chocou a opinião pública tem pelo menos dois precedentes: um nos EUA, descoberto em 1970 e outro na França em 1799.

O caso de Natasha, 5 anos, veio a público nesta semana depois que a polícia a encontrou morando em um apartamento sem luz, calefação e água. A menina teria passado toda sua vida no apartamento em um quarto com cães e gatos. Seu pai e seus avós paternos também moravam no mesmo apartamento.

Assim que os médicos do centro para onde ela foi levada passaram as primeiras informações de que Natasha não falava e latia e arranhava a porta, a imprensa traçou logo um paralelo com a aclamada obra de Kipling. Na história, publicada a primeira vez no final do século retrasado, Mogli é um menino descoberto na selva indiana que foi criado por lobos.

Ontem, os médicos divulgaram novas informações sobre a situação de Natasha e disseram que apesar de ainda não falar, a menina já começou a interagir com outras crianças. A polícia descobriu o caso após denúncia de sua mãe biológica que afirmou ser proibida pelo pai da criança de visitá-la.

O pai foi detido e multado. Ele será processado por "descumprimento das obrigações de educação de um menor" cuja pena pode variar entre 2 e 3 anos de prisão.

Outros casos
A situação em que Natasha foi encontrada lembra pelo menos a de outras duas crianças. Em setembro de 1799, um menino de 12 anos teria sido encontrado na floresta de Aveyron, no sul da França. Ele estaria sozinho, sem roupa, andava de quatro e não falava uma palavra.

Na época, a imprensa afirmou que o menino havia sido abandonado pelos pais e cresceu sozinho na floresta. Ele recebeu o nome de Victor e foi levado para Paris, onde ficou aos cuidados do médico Jean-Marc-Gaspar Itard.

Durante cinco anos seus tutores tentaram ensinar Victor a falar, a ler e a se comportar como um ser humano. Pouco progresso foi conseguido durante esse tempo. Victor nunca falou e aprendeu a ler somente a palavra leite. Em 1970, o cineasta francês François Truffaut lançou uma filme baseado na vida Victor, chamado O Garoto Selvagem.

Mais recentemente, em 1970, nos EUA, as autoridade descobriram uma menina de 13 anos que, apesar de morar com seus pais, vivia em um quase total isolamento. Genie, como ficou conhecida a menina, é na verdade o pseudônimo de Susan Wiley.

Filha de uma mulher praticamente cega e de um pai com sérios problemas de equilíbrio emocional, Genie foi isolada depois que um pediatra aventou a possibilidade da menina ter um grau leve de retardamento. Seu pai tomou a suspeita do médico como um diagnóstico certo e severo e proibiu qualquer contato com a menina.

Toda vez que tentava falar seu pai batia nela. Ela passava os dias presa a um penico e dormia em um berço protegido com barras de aço. Quando descoberta, Genie desconhecia a linguagem e obteve um desempenho equivalente ao de uma criança de quinze meses de idade num teste cognitivo não-verbal.

O caso de Genie foi largamente estudado e um fundo federal chegou a ser montado para que seu caso fosse pesquisado. Mas a pouca habilidade dos profissionais envolvidos fez com que diversas informações vazassem prematuramente e o fundo foi cancelado. Hoje, aos 52 anos, Genie mora em um abrigo para adultos e ainda tem severos problemas de comunicação.

Redação Terra

Garota de 5 anos foi criada junto com cães e gatos; ela avançou nos policiais como se fosse um cachorro