Um dia depois do trágico desfecho da crise dos reféns do colégio da cidade de Beslan ninguém sabe como aconteceu, enquanto as equipes de resgate recuperam cadáveres do recinto escolar.
Centenas de pessoas, reunidas na praça central do povoado, aguardam notícias e, enquanto isso, vez por outra lembram os fatos de ontem, quando a morte, o caos e o desconcerto inundaram a cidade, e olham à esquerda, onde a poucos metros está o local onde tudo começou.
Ali, policiais fecham a passagem para as fumeantes ruínas da escola, onde especialistas desativam explosivos e as equipes de resgate retiram os cadáveres entre os escombros.
Do que ninguém dúvida nesta praça é que o presidente russo, Vladimir Putin, não mentiu, quando afirmou nesta manhã que não era planejado o emprego da força".
"A situação mudou de forma muito rápida e brusca" disse Putin, a quem pouco antes, aqui mesmo, em Beslan, um oficial de Segurança informava que ainda estava sendo investigado como tudo começou.
"Estamos tentando descobrir como tudo começou, se as primeiras explosões foram fortuitas ou premeditadas", disse a ele.
Entre os reféns há quem garanta ter visto como uma das granadas que os terroristas tinham colado com fita adesiva se desprendeu do teto.
Outros, como Alexandr Pogrebov, de 9 anos, afirmam que foram os mesmos terroristas que lançaram uma granada à multidão, provocando o pânico.
Dezenas de reféns saltaram pelas janelas e fugiram, os terroristas abriram fogo contra eles e de fora os policiais ossetas que mantinham o cerco do edifício responderam as rajadas.
Alguns policiais se lançaram ao encontro dos seqüestrados que fugiam, para ajudar os menores ou apanhar os feridos, outros entraram pelas janelas na escola.
Foi então quando foram ouvidas outras detonações e uma das explosões afundou o teto sobre o ginásio, sepultando dezenas de pessoas sob os escombros.
Todos coincidem que durante quase meia hora foram os policiais locais que lutaram contra os terroristas até que entraram em ação os destacamentos de ataque.
Enquanto isso, parte dos terroristas tentava fugir da escola e os reféns que fugiam se viam sob o fogo cruzado dos que continuavam entrincheirados no edifício de um lado e as forças da ordem e paisanos armados com escopetas do outro.
Semelhantes afirmações são confirmadas pelas palavras do chefe do Serviço Federal de Segurança da Ossétia do Norte, Valeri Andreyev, que disse que "o fogo de locais, em certo momento, impediu a atuação eficaz das tropas de ataque".
Em cerca de 20 minutos os profissionais tinham tomado quase todo o edifício e só um reduzido número de terroristas continuava disparando no interior.
Mas na cidade também continuavam os tiroteios e as explosões.
Um grupo de terroristas abria caminho varrendo as ruas com suas rajadas e explosões de granadas.
Contra eles foram acionados helicópteros e carros de combate, que, no final, conseguiram bloqueá-los em uma casa.
Enquanto isso, outros terroristas semeavam pânico nos arredores da escola, a pouco metros da qual, junto ao café Irbis, uma das terroristas disfarçada de enfermeira detonou no meio da multidão uma bomba.
Vários dos presentes dizem ter visto como "a mulher vestida de branco desapareceu em uma coluna de fumaça" e um instante depois ouviram a detonação.
A situação se agravava ainda mais pela incerteza, pois ninguém sabia com certeza quantas centenas de reféns haviam.
Inclusive hoje, um dia depois, em Beslan ainda se continuam sem saber. Simplesmente se limitam a contar os cadáveres que aparecem sob os escombros.
Até as três da tarde hora local (8h00 de Brasília) as equipes de socorro tinham recuperado 322 cadáveres, 155 deles de crianças.
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