O Paquistão irá derrotar o talibã militarmente, mas pode perder a guerra da opinião pública se não conseguir ajudar centenas de milhares de pessoas desabrigadas pelos conflitos, disse nesta quinta-feira o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani.
O exército lançou na semana passada uma ofensiva no vale do Swat, no noroeste paquistanês, depois de os EUA acusarem o governo local de estar "abdicando" do combate aos militantes.
Cerca de 700 mil pessoas fugiram das suas casas desde então, juntando-se a outros 500 mil refugiados de confrontos anteriores no noroeste do país. A ONU alerta que uma prolongada crise humanitária pode se formar.
"Militarmente iremos ganhar a guerra, mas será lamentável se a perdermos publicamente", disse Gilani à Assembléia Nacional.
Em geral, os partidos e a opinião pública apoiam a ofensiva, apesar das restrições à aliança com os EUA para o combate à militância. No entanto, a oposição à ação armada deve crescer se houver muitos civis mortos ou refugiados.
A ofensiva foi lançada enquanto o presidente Asif Ali Zardari estava em Washington tentando garantir aos EUA que seu governo não está em perigo e continua comprometido com o combate à militância.
A ação paquistanesa contra os militantes no noroeste é vital para os esforços dos EUA para derrotar a Al-Qaeda e estabilizar o vizinho Afeganistão.
Cerca de 15 mil soldados enfrentam aproximadamente 5 mil militantes no vale do Swat, segundo os militares.
Há combates intensos no vale do Peochar, um tributário do Swat, aparentemente na tentativa de bloquear uma importante rota de fuga dos militantes.
O talibã ainda controla a maior cidade da região, Mingora, onde muitos civis estão escondidos em suas casas desde que o governo impôs um toque-de-recolher.
Os moradores começaram a fugir no final de abril, quando o Exército atacou o talibã em dois distritos perto do Swat, que haviam sido ocupados numa violação do tratado de paz de fevereiro, destinado a acabar com a violência no vale, outrora um destino turístico.
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