Ativistas queimam boneco que representa os talibãs em na cidade de Jammu |
Elisabeth Bumiller
Do New York Times
O chefe do Estado-Maior Conjunto das forças armadas norte-americanas, almirante Mike Mullen, declarou na segunda-feira estar "seriamente preocupado" com os avanços do Talibã no Afeganistão e no Paquistão, enquanto o presidente Barack Obama se prepara para receber o presidente paquistanês Asif Ali Zardari, esta semana em Washington, em meio a uma atmosfera de crise na região.
Os ganhos recentes do Talibã no Paquistão alarmaram a Casa Branca a ponto de levar o general James Jones, assessor de segurança nacional do presidente Obama, a descrever a situação como "um dos mais sérios problemas que temos a enfrentar". O Paquistão, ele declarou na segunda-feira, "precisa sobreviver como nação democrática".
Havia novos sinais de inquietação no Congresso quanto ao envolvimento norte-americano na região. O presidente do Comitê Orçamentário da Câmara disse "duvidar muito" que o plano de Obama para o Paquistão e Afeganistão possa ter sucesso. O presidente, deputado David Obey,k democrata de Wisconsin, afirmou que ofereceria à Casa Branca apenas um ano para mostrar resultados, e comparou repetidamente a abordagem proposta por Obama aos planos do presidente Richard Nixon quanto ao Vietnã em 1969.
Obama está sob pressão não só para atenuar as ocasionais hostilidades entre Paquistão e Afeganistão mas também para demonstrar algum progresso contra os extremistas do Talibã e da Al-Qaeda que usam o Paquistão como área de base para ataques contra as forças norte-americanas no Afeganistão. A reunião desta semana em Washington também contará com a presença do presidente afegão Hamid Karzai.
Funcionários do governo dos Estados Unidos dizem que os avanços dos militantes do Talibã no Paquistão ameaçam a existência do governo de Zardari e também representam risco para os interesses dos Estados Unidos na região e para a segurança interna do país. Funcionários do governo, que dedicaram parte da segunda-feira a uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, tentaram moderar o tom aguçado das críticas recentes a Zardari, enquanto concluíam os preparativos para a reunião, na quarta-feira.
"A semana requer que sejamos positivos e não mexamos em vespeiro", disse um funcionário do Departamento da Defesa que participou do planejamento da reunião. "Há muita desconfiança entre nós e os paquistaneses", afirmou, pedindo que seu nome não fosse mencionado por não ter autorizado a discutir deliberações internas. Zardari chegará a Washington tendo na cabeça de sua agenda a necessidade de convencer Obama a liberar centenas de milhões de dólares em assistência civil e militar ao seu país.
Funcionários do governo paquistanês afirmam que a Casa Branca pouco fez para utilizar as verbas de assistência norte-americanas a fim de sustentar a base de apoio de Zardari, e que Washington demonstrava muito mais apoio ao Paquistão quando o país estava sob o governo do ditador militar Pervez Mosharraf do que agora que um governo civil assumiu o poder em Islamabad.
Entre 2001 e 2008, o governo Bush enviou mais de US$ 10 bilhões em assistência econômica e militar ao Paquistão. De acordo com um importante funcionário do governo Paquistanês que pediu que seu não fosse revelado porque não está autorizado a estratégia de seu país antes da reunião, o fluxo de fundos praticamente estancou depois da metade do ano passado.
Islamabad continua esperando que Washington reembolse o país pelos US$ 1,5 bilhão em despesas de operações militares contra o extremistas, afirma. Obama expressou apoio a um pacote de assistência de US$ 7,5 bilhões em prazo de cinco anos, mas enfrenta forte oposição de Obey e outros políticos que desejam impor condições severas para assistência a Islamabad.
Obey, cujo comitê supervisiona todos os gastos federais não definidos por programas de benefícios permanentes, afirmou na segunda-feira que, em um projeto de lei de verbas adicionais para despesas de guerra, os democratas da Câmara planejam solicitar que a Casa Branca informe ao Congresso no ano que vem sobre o progresso das operações no Afeganistão e Iraque, quanto a cinco áreas específicas: consenso político, corrupção no governo, esforços de combate a insurgência, cooperação de inteligência e segurança de fronteiras.
E ele deu a entender claramente que as verbas poderiam ser cortadas caso o progresso obtido não seja claro. "Não vou julgar esses padrões como se fosse presidente do clube dos otimistas perpétuos", disse Obey. Ainda que o governo norte-americano tenha recentemente feito contato com Nawaz Sharif, o principal rival de Zardari, funcionários dizem que as autoridades não desistiram de Zardari.
"Não estamos nos distanciando dele", disse Richard Holbrooke, o enviado especial do governo ao Afeganistão e Paquistão, em entrevista telefônica. "Se estivéssemos, por que o presidente Obama o convidaria a visitar Washington esta semana?" Holbrooke reconheceu que ele e outros funcionários do governo haviam conversar com Sharif, mas apenas porque ele é o principal líder oposicionista.
"É claro que mantemos um relacionamento estreito com Nawaz Sharif e seu irmão", disse Holbrooke, em referência a Shahbaz Sharif, o poderoso ministro chefe da província do Punjab. De sua parte, funcionários paquistaneses afirmam que, durante a visita, descreverão Sharif como uma criatura do governo da Arábia Saudita, com quem os norte-americanos teriam dificuldade em trabalhar. "Os norte-americanos não tem qualquer influência sobre Sharif; só os sauditas o influenciam", disse o representante paquistanês.
Tradução: Amy Traduções
The New York Times