250 mil contra Bush nas ruas de Nova York

29 de agosto de 2004 • 16h51 • atualizado às 16h51
Passeata foi pacífica e muito colorida. Foto: AP
Passeata foi pacífica e muito colorida.
29 de agosto de 2004
Foto: AP

Milhares de americanos protestaram neste domingo nas ruas de Nova York contra a política do presidente George W. Bush, durante uma passeata pacífica e muito colorida, às vésperas da convenção do partido republicano que confirmará Bush como candidato à reeleição. Os organizadores calculavam a presença de 250 mil pessoas neste encontro, que deve ser o mais importante de uma semana onde estão previstos muitos outros. Outras estimativas eram mais modestas: cerca de 100 mil participantes.

"Reunimos uma multidão imensa para dizer não às políticas de Bush", explicou Bill Dobbs, porta-voz do grupo United for Peace and Justice (UPJ) que organizou o evento. Diversas personalidades se somaram à passeata, entre elas o reverendo Jesse Jackson e o cineasta Michael Moore, que tomaram a palavra através de alto-falantes.

"Vamos reservar uma boa acolhida aos republicanos porque sabemos que estão um pouco deprimidos: para eles, o fim está próximo", proclamou o polêmico Michael, com seu boné vermelho, em meio aos aplausos da multidão. "É preciso dirigir-lhes um sorriso gentil e fazer um pequeno sinal com a mão", ironizou. A passeata redobrou as palavras de ordem contra Bush ao passar, por volta do meio-dia, diante do Madison Square Garden, que se transformará a partir de amanhã em quartel-general dos republicanos.

Muitos cartazes faziam lembrar as manifestações pacíficas do inverno passado: "Traga os soldados de volta à casa" ou "Nenhum sangue pelo petróleo". O "Iraque é a palavra em árabe que quer dizer Vietnã", diz um outro, ao lado de um cartaz com o slogan dos anos 60, ao gosto do dia: "Pare de se queixar e comece a revolução". "Esta eleição é muito importante pelo que é preciso que nos manifestemos", explica Kerry Jones, um funcionário municipal de 52 anos, vindo de l'Ohio, um Estado onte as eleições se prenunciam muito disputadas. "Temos 45 milhões de pessoas sem nenhuma cobertura social, o que é um ato criminoso", acrescenta.

Barbara Cobran, médica de 62 anos, num vestido longo branco, jóias e chapéu, resume a passeata: "somos contra a guerra e contra a perda de nossas liberdades civis. O governo Bush não faz senão aumentar o terrorismo e a cólera no mundo".

Os 2.509 delegados e 2.344 suplentes da convenção republicana se instalavam durante este tempo em seus hotéis, preparando-se com entusiasmo para lançar sua convenção de quatro dias, que será encerrada na noite de quinta-feira pelo atual presidente.

Bush, numa entrevista que será divulgada nesta segunda-feira na revista Time, falou sobre a guerra que lançou contra o terrorismo como "uma luta ideológica a longo prazo", estimando: "eu estou fazendo História". A decisão de invadir o Iraque e de derrubar o regime de Saddam Hussein era "a boa decisão", repetiu mais uma vez. O ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, tomou a defesa do presidente. Ele "soube nos ajudar a ultrapassar os dias provavelmente os mais difíceis de nossa história, e nos manteve concentrados em seu objetivo de destruir o terrorismo em todos os lugares do mundo", declarou este republicano moderado à rede NBC.

Outros protestos estão programados para os dias da convenção, até 2 de setembro. As manifestações mantêm a polícia nova-iorquina em alerta máximo, provocarando uma impressionante mobilização policial e muitas alterações no cotidiano da cidade.

Durante os protestos deste domingo, 200 pessoas foram detidas, o que aumenta para 500 o número de prisões relacionadas com a convenção republicana desde a última quinta-feira.

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