11 de setembro marca a convenção republicana em NY

29 de agosto de 2004 • 16h42 • atualizado às 16h42

Por trás dos discursos clamando vitória e da música, a convenção republicana que começará nesta segunda-feira em Nova York, estará centrada nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que marcaram a consciência nacional.

O presidente George W. Bush não esconde que sua campanha pela reeleição tem como eixo a resposta dada aos atentados da rede Al-Qaeda em Nova York e Washington, que causaram quase 3 mil mortos. "O debate deve ser sobre quem pode liderar a guerra contra o terrorismo e é para lá que os conduzirei", adiantou Bush em entrevista concedida à revista Time.

Não é por acaso que os republicanos escolheram Nova York para a celebração partidária pela primeira vez em 150 anos de história, num lugar que fica a apenas cinco quilômetros do Ground Zero, onde ficavam as torres do World Trade Center. Também não foi por acaso que decidiram realizar esta festa de quatro dias mais tarde, para que Bush pudesse aceitar a indicação oficial à reeleição, nove dias antes do terceiro aniversário dos ataques.

"Os motivos para fazer isto são óbvias e se falará muito disto", comentou Stephen Hess, um antigo "ghost writer" de discursos republicanos e agora analista político do Brookings Institution. Eric Davis, professor de ciências políticas e historiador presidencial do Middlebury College em Vermont (nordeste), concorda que "o 11 de setembro será um dos grandes temas" da convenção.

"Não me surpreenderia que (Bush) visite o Ground Zero, apesar de não planejado", disse Davis à AFP. Apesar de os nova-iorquinos ainda se lembrarem comovidos do ataque, qualquer tentativa de exploração da tragédia por parte dos dois partidos, poderia ser negativa. Quando Bush lançou de início uma campanha publicitária na qual apareciam bombeiros em torno de um caixão com a bandeira americana, provocou uma polêmica que durou muitos dias.

Além disso, muitos moradores desta cidade tradicionalmente democrata não escondem o descontentamento em receber a convenção republicana, especialmente depois das advertências oficiais sobre eventuais ataques destinados a perturbar as eleições deste ano. Uma pesquisa The New York Times/CBS News destaca que 53% dos nova-iorquinos estão muito ou um pouco preocupados com a possibilidade de um atentado terrorista durante a convenção e 52% teriam desejado que os republicanos tivessem escolhido um outro lugar para celebrá-la.

Além disso, mencionar o 11/9 nem sempre pode ter um efeito benéfico para Bush, especialmente depois que uma comissão independente identificou importantes erros da inteligência antes dos atentados e uma resposta pouco coordenada por parte das autoridades. Familiares das vítimas dos atentados que são contra a guerra no Iraque somam-se aos protestos planejados para os próximos dias. Outro grupo, denominado "Ring out the Republicans" esteve no Ground Zero sábado.

Mas Bush continua usando o 11/9 como referência em sua árdua batalha eleitoral contra o candidato democrata. O tema é um dos pontos fuertes de Bush, num momento em que uma clara maioria de eleitores parece acreditar na posição que assumiu contra o terrorismo, apesar de muitos criticarem a forma como estaria manipulando a guerra no Iraque.

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