Grupo ligado à Al-Qaeda volta a ameaçar Itália

29 de agosto de 2004 • 08h45 • atualizado às 08h45

As Brigadas de Abu Hafs Al Masri, que dizem estar vinculadas à rede Al-Qaeda, ameaçaram de novo realizar ataques terroristas na Itália por causa da permanência de tropas do país no Iraque. A organização assegurou que o Vaticano não está entre seus alvos.

Em um comunicado divulgado hoje, o grupo, que assumiu os atentados de 11 de março em Madri, afirma que "o Vaticano não será nunca um de nossos alvos". No texto, as Brigadas de Abu Hafs Al Masri acrescentam: "Bateremos só onde houver danos, o que obrigará os imundos soldados italianos a deixar o Iraque".

O documento faz referência às informações publicadas esta semana na imprensa italiana, que apontavam a Santa Sé como um dos principais alvos terroristas. "Essas são notícias sem fundamento" e não passam de "uma tentativa dos serviços de informação italianos de passar uma imagem equivocada dos mujahedines (combatentes islâmicos) e de desviar a atenção dos crimes cometidos pelo governo italiano contra os muçulmanos no Iraque", diz o comunicado.

Sobre o assassinato do jornalista Enzo Baldoni pelo Exército Islâmico do Iraque, o grupo afirma que o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, "deu provas da mesma barbárie da qual acusou os mujahedines iraquianos quando mataram o refém italiano ao se declarar determinado a manter suas tropas no Iraque".

Nas últimas semanas, as denominadas Brigadas de Abu Hafs Al Masri divulgaram outras mensagens na mesma linha na Internet, sempre com ameaças à Itália e a Berlusconi. No começo de agosto, deram um prazo de 15 dias para que primeiro-ministro italiano retirasse seus soldados de território iraquiano. Quando o prazo expirou no dia 15 de agosto, o grupo divulgou outra mensagem, que mandava seus militantes atacarem "todos os alvos na Itália" e apontava Berlusconi como um "alvo prioritário".

Tanto autoridades quanto especialistas questionaram a capacidade real do grupo e a veracidade de sua relação com a organização Al-Qaeda. No entanto, ressaltaram que nenhuma ameaça deve ser subestimada. Conforme os serviços italianos de inteligência, todas as mensagens assinadas pelas Brigadas de Abu Hafs Al Masri provêm de uma mesma fonte, que poderia estar no norte da África.

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