Morre Carl Szokoll, conhecido como o "salvador de Viena"

26 de agosto de 2004 • 10h02 • atualizado às 10h02

O "salvador de Viena", o austríaco Carl Szokoll, famoso por pertencer aos oficiais que conspiraram para matar Hitler e pactuar a entrega da cidade ao Exercito Vermelho para salvá-la da destruição, morreu aos 89 anos no Hospital de Lainz da capital austríaca.

Szokoll passou os últimos dias de sua vida no asilo de Oberlaa, onde uma porta-voz comunicou hoje, quinta-feira, sua morte aos meios de imprensa locais.

O prefeito da cidade, o social-democrata Michael Haupl, disse que os restos mortais de Szokoll descansarão em uma sepultura de honra no cemitério central de Viena, junto aos de outras pessoas de destacaque no país.

Szokoll serviu nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial na Wehrmacht como comandante e liderou a maior iniciativa austríaca da resistência ao nazismo, a "Operação Radetzky", em homegagem ao marechal de campo do mesmo nome.

O então jovem oficial se aliou com o grupo de resistência 0-5 para negociar em abril de 1945 a entrega pacífica de Viena ao Exercito Vermelho, algo que evitaria a cidade ser reduzida a ruínas como outras cidades do "Reich".

O plano fracassou devido à traição de alguns dos conjurados, que provocou a execução e o encarceramento de muitos de seus companheiros de armas.

Apesar do revés, Szokoll conseguiu persuadir os oficiais soviéticos que adiassem seu ataque à cidade, e no prazo de oito dias a capital pôde ser liberada sem um tiro.

O comandante arrancou do general Glagolev, ao comando do nono exercito soviético, o compromisso de não bombardear a cidade, a respeito das reservas de água e apoio para a resistência antinazista austríaca.

Alguns de seus companheiros que o apoiaram nestes planos foram denunciados, e no dia 8 de abril, enforcados em postes de luz da cidade em uma macabra lembrança aos vienenses de como os nazistas faziam com os traidores.

Szokoll também tinha sido dois meses antes um dos conjurados para matar Hitler, no dia 20 de julho de 1944, no atentado que teve o conde Claus Schenk von Stauffenberg como organizador.

"Tenho a sensação que nossa luta valeu a pena", afirmou o antigo resistente em uma recente entrevista pouco antes de morrer.

"Eu tinha claro que não fazia nenhum sentido fugir", só existia um caminho para acabar com o regime nazista, eliminar Hitler, lembrou o antigo comandante.

Ao fracassar o atentado teve "profundas dúvidas. E o medo de que ao abrir uma porta fosse feito prisioneiro como muitos dos meus amigos".

Apesar de ter sido reconhecido pela cidade de Viena em numerosas ocasiões como seu salvador, algumas personalidades se perguntam por que o exército austríaco não reconheceu seu trabalho na luta contra a tirania.

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