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Benjamin Netanyahu, um falcão pragmático

31 de março de 2009 18h38 atualizado às 18h46

O primeiro-ministro eleito de Israel, Benjamin Netanyahu, é um "falcão" convicto, que já não acredita mais na paz com os palestinos, e mantém uma atitude pragmática e ultraliberal em termos de economia.

Netanyahu, 59 anos, é considerado por seus simpatizantes um visionário por ter dito em 1993 que os acordos com os palestinos só provocariam novos confrontos. Seus detratores o acusam de ter contribuído para o fracasso destes acordos ao apoiar a colonização na Cisjordânia.

Para seus seguidores, este homem de convicções sabe ser realista. Para seus críticos, ele é um ilusionista manipulador.

Ninguém contesta, porém, a imensa capacidade política deste excelente orador, movido por uma grande ambição.

Nas eleições legislativas de 10 de fevereiro, comandou a recuperação de seu partido, o Likud, conquistando 27 das 120 cadeiras do Parlamento.

Primeiro-ministro de 1996 a 1999, Netanyahu foi ministro da Fazenda no governo de Ariel Sharon até apresentar sua renúncia para expressar sua oposição à retirada unilateral da Faixa de Gaza, em 2005, após 38 anos de ocupação israeleense.

Netanyahu foi em 1996 o mais jovem primeiro-ministro de seu país, e o primeiro chefe de governo nascido após a criação de Israel, em 1948. Ele dedicou os três anos que passou no poder a bloquear o processo de paz surgido dos acordos de Oslo, concluídos em 1993.

"Bibi", como é chamado em Israel, sempre defendeu o conceito de "Grande Israel", ou seja, a terra de Israel em suas fronteiras bíblicas, que incluem a Cisjordânia.

Contudo, suas convicções não o impediram de ceder às pressões americanas e assinar dois acordos de paz com o líder palestino, Yasser Arafat, sendo tachado de oportunista.

Depois da derrota eleitoral do Likud para o Partido Trabalhista, de Ehud Barak, em 1999, Netanyahu teve problemas com a justiça por causa de um suposto caso de corrupção, que acabou não vingando por falta de provas.

Esperando tranquilamente sua hora para voltar ao cenário político, ele explorou as repercussões da última guerra do Líbano, em julho de 2006, e a série de escândalos político-financeiros que minaram o então primeiro-ministro Ehud Olmert antes de ele cair.

Puro produto da elite ashkenaze, que fundou Israel, ele passou sua juventude nos Estados Unidos, por isso fala perfeitamente o inglês.

Muito bom em debates, ele fez carreira na diplomacia, antes de ser eleito no Parlamento, em 1988. Sua ascensão foi meteórica, porque ele se tornou pouco depois vice-ministro das Relações Exteriores e, em seguida, em 1992, chefe do Likud e líder da oposição.

Ele é radicalmente contra a divisão de Jerusalém, propõe uma política econômica ultraliberal e rejeita concessões aos palestinos, que poderiam colocar em perigo a segurança de Israel.

AFP
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