Papa pede defesa da vida da concepção à morte natural

15 de agosto de 2004 • 09h10 • atualizado às 09h10

por Juan Lara

O papa João Paulo II fez hoje, domingo, no Santuário de Lourdes um pedido urgente para que homens e mulheres façam "tudo o que estiver ao seu alcance" para que a vida seja respeitada "da concepção até seu fim natural, já que é um dom sagrado do qual ninguém pode se apropriar".

Com essas palavras, o Pontífice condenou o aborto e a eutanásia diante de milhares de pessoas, entre elas muitos doentes.

O Papa referiu-se também ao papel das mulheres nesta época marcada pelo materialismo e a secularização.

Esta referência às mulheres foi feita quinze dias depois do Vaticano tornar público um documento no qual condena o feminismo radical e a chamada "ideologia de gênero", por considerar que a diferença entre os sexos vem minimizada, o que faz com que o indivíduo se ache no direito de escolher seu gênero sem considerar seu próprio sexo, e chega a se equiparar a homossexualidade com a heterossexualidade.

"Temos que ser sentinelas do invisível", acrescentou hoje o Pontífice diante de cerca de 300.000 pessoas que assistiram à missa celebrada em um campo do santuário de Lourdes, aonde chegou ontem para comemorar os 150 anos da proclamação, por parte do papa Pio IX em 1854, do dogma da Imaculada Conceição.

O Papa quis celebrar a missa em Lourdes porque quando a Virgem apareceu à menina Bernadette na Gruta de Massabielle em 1858 disse a ela: "Eu sou a Imaculada Conceição" e escolheu o dia 15 de agosto porque é a festividade da Assunção de María em corpo e alma, outro importante dogma mariano.

Desta maneira, quis abraçar os dois dogmas, que, conforme ressaltou hoje, estão intimamente ligados.

Visivelmente cansado, mas feliz por estar pela segunda vez em Lourdes e entre milhares de doentes, como ele, o Papa, de 84 anos, disse que a Gruta de Massiabelle "fala" ao homem moderno e é a resposta para muitas de suas perguntas.

"Desta gruta parte um pedido especial para as mulheres. Aparecendo nela e confiando sua mensagem a uma menina, Maria ressaltou a particular missão da mulher neste tempo marcado pelo materialismo e asecularização: ser na sociedade atual o testemunho de valores essenciais que podem ser vistos apenas com os olhos do coração".

"A todos, homens e mulheres, faço um pedido urgente para que a vida seja respeitada da concepção até seu fim natural", afirmou o Papa, ressaltando que a vida é um dom do qual ninguém pode se apropriar.

João Paulo II, que teve que fazer longas pausas para poder ler o discurso por causa de seu delicado estado de saúde e inclusive teve que receber um copo de água, devido ao calor no local, manifestou que a mensagem da Virgem de Lourdes é para que todos "sejam homens e mulheres livres".

"Mas lembrem-se que a liberdade humana é uma liberdade ferida pelo pecado e que precisa ser salva. Cristo é o único libertador", acrescentou o Papa.

Aos milhares de jovens presentes disse que as respostas que podem dar sentido a suas vidas podem ser encontradas aqui, entre os doentes. "É uma resposta exigente, mas a única que completa totalmente e na qual está o segredo da verdadeira alegria e paz", acrescentou.

Além disso, falou do pecado e deu garantia aos cristãos de que o mal e a morte não terão a última palavra.

Em um dia totalmente mariano, João Paulo II percorreu a vida de Mariaa, ressaltou seu amor pelos outros, sua entrega sem pedir nada em troca e sua discrição, e afirmou que a Virgem é a expressão de que o "bem não faz ruído".

A missa, ato central desta peregrinação de dois dias, foi assistida por cerca de 300.000 pessoas. No fim, o Papa cumprimentou os presentes em sete idiomas.

O governo francês foi representado pelo ministro do Interior, Dominique de Villepin, e o titular de Saúde e ex-prefeito de Lourdes, Philippe Douste-Blazy.

Antes de voltar esta noite para Roma, João Paulo II voltará à Gruta de Massiabelle, onde pediu para rezar sozinho durante alguns momentos.

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