Freud, que mora em Boston (EUA) e que tem a mesma nacionalidade de seu avô (austríaca), considera como falsos profetas muitos personagens que influenciaram a história e a sociedade, de Moisés a Adolf Hitler, o chefe da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, e até Sigmund Freud e seu discípulo e posterior rival, o célebre psicanalista suíço Carl Gustav Jung.
Segundo explicou aos especialistas em Viena, Sigmund Freud estava convencido da "importância heróica de sua missão de compreender a alma humana". Desde então, muitos psicanalistas conseguiram se libertar de algumas doutrinas de Freud, como o complexo de Édipo, mas isso levou bastante tempo, segundo a especialista, ao comentar também que "as mulheres demoraram até 1976 para compreender que não são uma espécie de homem castrado".
O vigor e a persistência desses erros se deve à formação de seitas pseudo-religiosas em torno desses profetas, venerados por seus adeptos. Os estudantes se converteram à doutrina para se tornar "missionários", enquanto as teorias correspondentes permaneciam num círculo fechado, em vez de enfrentarem um debate científico, segundo Sophie Freud. "Inclusive, muitas mulheres confiavam mais em Freud, esse grande homem, que em seu próprio conhecimento e corpo", que diziam outra coisa, afirmou Sophie Freud, revelando um paralelo com os grandes sedutores políticos, como Hitler, que também contava com a veneração e o apoio financeiro de mulheres endinheiradas.
Freud foi venerado como um Deus por muitas mulheres e Jung recebia verba de seguidoras influentes, mas, segundo Sophie Freud, tanta veneração pode prejudicar o caráter. A neta de Freud também critica os métodos científicos de seu avô, que "transformava subitamente as idéias espontâneas e o pensamento intuitivo em fatos científicos e violava permanentemente as regras que ele mesmo havia fixado".
Freud, por exemplo, reivindicava uma relação neutra entre terapeuta e paciente, mas ele mesmo não se ajustava a esta regra. Sobre seu adversário Jung, a pedagoga e assistente social censurou sua afinidade com profetas políticos, já que o especialista suíço considerou as unidades paramilitares nazistas, as temidas SS, uma "nova casta de cavalheiros". Jung, segundo ela, apoiava o ditador espanhol Francisco Franco na luta contra os republicanos "bárbaros" e era a favor da expulsão dos freudianos alemães e austríacos pelos nazistas, esperando assim que suas próprias teorias fossem mais reconhecidas.
Sophie Freud advertiu sobre o caráter perigoso dos profetas que separam arbitrariamente bons e maus, mas acrescentou que "há pessoas cujo exemplo pode ser seguido, enquanto suas idéias não forem propagadas como verdade única". "Precisamos do valor para o pensamento crítico", afirmou a pedagoga em meio a longos e fortes aplausos do auditório, no final de sua conferência.

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