Sindicalismo encontra em Obama o apoio que procurava

02 de março de 2009 • 13h24 • atualizado às 13h26

Steven Greenhouse


John Sweeney, o principal líder sindical dos Estados Unidos, muitas vezes se queixa de que foi convidado a visitar a Casa Branca apenas uma vez nos oito anos de governo de George W. Bush - e que isso só aconteceu a pedido do Vaticano, durante uma visita do Papa Bento XVI.

Se um indicador for necessário quanto à proximidade muito maior entre os sindicalistas e o presidente Barack Obama do que era o caso no governo de seu predecessor, o número de visitas de Sweeney, presidente da central sindical AFL-CIO, à Casa Branca desde a posse de Obama bastaria: pelo menos uma por semana, para recepções, assinaturas de leis e uma reunião sobre responsabilidade fiscal.

Obama deixou os sindicalistas felizes ao promulgar quatro ordens executivas que favorecem os trabalhadores e revertem decisões da era Bush. Ele também apontou uma presidente pró-sindicalista para o Conselho Nacional de Relações do Trabalho e conduziu ao posto de secretário do Trabalho um descendente de sindicalistas.

Mas essas mudanças preocupam as empresas norte-americanas, especialmente por Obama ter sinalizado que pressionará por legislação que expanda as fileiras emaciadas dos sindicatos, ao facilitar a sindicalização de trabalhadores. Os líderes trabalhistas esperam que o vice-presidente Joe Biden exponha os planos de trabalho do governo quando ao plano na quinta-feira, quando ele deve discursar em uma assembléia da AFL-CIO em Miami Beach, Flórida.

Quaisquer dúvidas que os líderes sindicais pudessem ter sobre Obama desapareceram semanas atrás, quando, ao anunciar a formação de um novo grupo de trabalho para estudar a situação da classe média, ele declarou que "não vejo o movimento trabalhista como parte do problema. Para mim, ele é parte da solução. Não se pode ter uma classe média forte sem um movimento trabalhista forte".

Sweeney e muitos outros líderes trabalhistas ficaram encantados. "É como a diferença entre o dia e a noite, ter um presidente que acredite em ajudar os trabalhadores a ganhar poder", disse Sweeney. "Vejo Obama como o presidente mais favorável ao sindicalismo desde John Kennedy, já o comparei até a Franklin Roosevelt".

Mas os republicanos e os líderes empresariais parecem menos felizes. Queixam-se de que Obama está simplesmente pagando os sindicatos pelo dinheiro e voluntários que forneceram à sua campanha.

"Na última eleição, os líderes trabalhistas investiram entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões para eleger o adversário, e não o fizeram apenas para manter a saúde", diz John Boehner, o líder da bancada republicana na Câmara dos Deputados. "Estão fazendo esse investimento no outro lado para controlar a formação de políticas".

Randel Johnson, vice-presidente de política trabalhista da Câmara do Comércio dos Estados Unidos, também expressou preocupação. "O júri ainda não decidiu sobre o trabalhismo organizado", disse. "Não sabemos se ele triangulará o sindicalismo, como Clinton, ou se vai se tornar seu servo".

Nate Tamarin, diretor associado de política na Casa Branca e encarregado dos contatos com os sindicalistas, disse que as políticas pró-trabalhador de Obama refletem as promessas que ele fez durante a campanha. "Tudo que ele fez é consistente com aquilo que acredita seja o certo para os trabalhadores norte-americanos e é consistente com o que viu ao longo de sua carreira como o importante papel dos sindicatos na construção da classe média norte-americana", disse Tamarin.

Os líderes sindicais estão certamente satisfeitos com o pacote de recuperação de US$ 787 bilhões proposto por Obama, bem como por seus planos para cobertura universal de saúde e impostos mais altos sobre os ricos.

O presidente do sindicato Communications Workers of America elogiou os US$ 7,2 bilhões reservados à expansão dos serviços de banda larga, no pacote de recuperação econômica. O presidente do sindicato dos siderúrgicos elogiou as cláusulas que tornam obrigatório adquirir produtos norte-americanos, com as verbas do pacote. E o presidente da federação dos sindicatos de professores elogiou os bilhões reservados à educação.

Os sindicatos também aplaudiram as quatro ordens executivas, entre as quais uma que facilita a concessão de verbas federais a projetos de construção com mão-de-obra sindicalizada. Os sindicatos também desempenharam um papel em persuadir o presidente a adiar a reforma do Seguro Social e a possível redução dos benefícios.

Acima de tudo, eles contam com Obama para ajudar a reverter as décadas de declínio no poder e no número de membros dos sindicatos. Com 16 milhões de membros, os sindicatos representam apenas 7,6% do total de trabalhadores do setor privado, hoje, ante mais de 25% no começo dos anos 80.

O sindicalismo deposita suas maiores esperanças na aprovação da Lei de Livre Escolha dos Trabalhadores, um projeto que, esperam os líderes, elevará em milhões os quadros de membros dos sindicatos ao conceder aos trabalhadores o direito à sindicalização assim que houver uma maioria de assinaturas a favor disso no local de trabalho. O projeto de lei removeria o direito dos empregadores de exigir uma decisão em voto secreto quanto à sindicalização.

The New York Times
 
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