Mortos no incêndio de Assunção sobem para 365

02 de agosto de 2004 • 10h41 • atualizado às 10h41
Mais de 300 pessoas ficaram feridas no incêndio Foto: AP
Mais de 300 pessoas ficaram feridas no incêndio
01 de agosto de 2004
Foto: AP

O Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai informou que chegam a 365 os mortos no incêndio do supermercado Ykuá Bolaños, em Assunção, no Paraguai. O número de vítimas, em sua maioria carbonizadas, é quase o mesmo do balanço proporcionado pelo Ministério Público.

"Após o fim dos trabalhos de busca e resgate desta tarde, foram recuperados cerca de trinta corpos, alguns somente em partes ou membros", explicou Carlos Torres, comandante dos bombeiros.

Torres explicou que o total de mortos inclui as pessoas que faleceram nos hospitais. O número de vítimas fatais pode aumentar, "considerando o estado em que foram retirados muitos dos feridos", acrescentou.

O ministro da Saúde, Julio César Velázquez, especificou que há 271 pessoas internadas em diversos hospitais de Assunção, das quais 15% permanecem em unidades de tratamento intensivo.

Torres explicou que agora um grupo menor de bombeiros se ocupará da vistoria e da sustentação do edifício para evitar o desabamento de sua estrutura.

O fogo começou no supermercado, localizado na periferia de Assunção, ao meio-dia do domingo, quando o lugar estava lotado. Segundo autoridades, uma explosão provocada por gás perto da área de alimentação foi a responsável pelo início do incêndio. As chamas atingiram um estacionamento localizado no subsolo e vários corpos carbonizados foram encontrados dentro de carros queimados. Muitas pessoas ficaram presas no local porque, segundo várias testemunhas e sobreviventes, as portas foram fechadas para evitar possíveis saques e roubos.

Falta de estrutura
A tragédia, considerada por muitos a pior no Paraguai desde os anos 1930, quando a guerra contra a Bolívia deixou milhares de mortos, mostrou a falta de estrutura no país. A magnitude do acidente sobrecarregou os serviços públicos de um dos países mais pobres e mais corruptos da América do Sul. Os hospitais ficaram lotados com as centenas de feridos que apresentavam queimaduras e problemas pulmonares.

"Esse acidente revelou o quão insuficiente são nossos recursos humanos e materiais para lidar de forma adequada com uma catástrofe", escreveu em um editorial o jornal Última Hora. Os médicos pediram doações de materiais e a Argentina já enviou um avião Hércules com remédios e ataduras.

O presidente do país, Nicanor Duarte Frutos, afirmou no domingo que vai pedir uma investigação rápida sobre as causas da tragédia "a fim de punir os responsáveis".

Redação Terra
 
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