195 mil morrem a cada ano por erro médico nos EUA

27 de julho de 2004 • 20h47 • atualizado às 20h47

Cerca de 195 mil pessoas podem estar morrendo anualmente nos hospitais norte-americanos por causa de erros médicos facilmente evitáveis, informou hoje uma empresa de consultoria ao apresentar um resultado que dobra as cifras anteriores. Entre os erros mais comuns estão falhas no resgate de pacientes em estado grave e infecções em pacientes que não apresentavam risco de morte.

A HealthGrades, do Colorado, disse ter dados relativos a todos os 50 Estados dos EUA, inclusive mais atualizados do que os que serviram de base para um estudo de 1999 do Instituto de Medicina, que atribuía 98 mil mortes anuais aos erros médicos.

"O estudo da HealthGrades mostra que o relatório do Instituto pode ter subestimado o número de mortes provocadas por erros médicos e, além do mais, [indica] que há poucas evidências de que a segurança dos pacientes tenha melhorado nos últimos cinco anos", disse Samantha Collier, vice-presidente da empresa para assuntos médicos.

A companhia classifica hospitais com base em vários critérios e transmite essas informações a planos de saúde e seguradoras. Ela disse que seus funcionários examinaram três anos de dados da saúde pública em todos os Estados e na capital, Washington.

"Esta população do Medicare [sistema de saúde dos EUA] representa aproximadamente 45% de todas as internações hospitalares [excluindo pacientes de obstetrícia] nos EUA entre 2000 e 2002", disse a empresa em nota à imprensa.

Entre os erros identificados pela HealthGrades estão falhas no resgate de pacientes em estado grave e infecções em pacientes que não apresentavam risco de morte. A pesquisa do Instituto de Medicina não incluía esses dois aspectos.

O estudo aponta 1,14 milhão de "incidentes relativos à segurança dos pacientes" em meio às 37 milhões de internações do período. "Do total de 323.993 mortes entre pacientes do Medicare nesses anos que envolveram um ou mais incidentes de segurança, 263.864, ou 81%, dessas mortes foram diretamente atribuídas aos incidentes", disse o texto. "Um em cada quatro pacientes do Medicare que foram hospitalizados entre 2000 e 2002 e tiveram um incidente morreu".

O governo dos EUA diz que pretende obrigar hospitais e clinicas a manterem bancos de dados eletrônicos, inclusive com registros das prescrições médicas. O Instituto de Medicina disse que muitas mortes provocadas por erros médicos envolveram falhas na prescrição e administração de remédios.

"Se a lista anual das principais causas de morte dos Centros para Controle de Doenças e Prevenção incluíssem os erros médicos, isso ficaria no sexto lugar, à frente de diabete, pneumonia, mal de Alzheimer e doenças renais", disse Collier.

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