Recep Tayyip Erdogan (em pé) abandonou a sessão por causa do discurso do presidente de Israel, Shimon Peres |
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ficou furioso e abandonou um debate sobre o conflito em Gaza realizado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, por ter sido impedido de falar, depois de uma longa intervenção do presidente israelense Shimon Peres.
"Não acho que voltarei a Davos", declarou Erdogan, muito irritado, ao deixar o recinto, onde também estavam o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário da Liga Árabe, Amr Mussa.
O premiê turco desejava responder a uma longa intervenção de Peres sobre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, mas o jornalista que mediava o debate o interrompeu insistentemente para assinalar que estava encerrado.
Ignorando as interrupções do organizador, Erdogan criticou o público por ter aplaudido o pronunciamento do presidente israelense.
"É triste ver pessoas aplaudindo porque muita gente morreu. Penso que eles estão errados em aplaudir ações que mataram pessoas", declarou o dirigente turco, referindo-se à ofensiva israelense na Faixa de Gaza, tema do debate, que deixou mais de 1.330 mortos palestinos.
Aplausos também foram ouvidos quando Erdogan deixou o recinto.
Antes disso, Peres defendera com veemência a intervenção armada de seu país na Faixa de Gaza, chegando a elevar a voz várias vezes.
Dirigindo-se a ele, Erdogan disse: "você deve estar se sentindo culpado, por isso falou tão alto". "Vocês mataram gente. Me lembro das crianças mortas", acrescentou.
"O que você faria se dezenas de foguetes caíssem todas as noites sobre Istambul? Israel não quer matar ninguém, mas o Hamas não nos deu outra escolha", respondeu Peres.
Durante o debate, o secretário-geral da ONU pediu a Israel que mostrasse "a maior moderação para preservar o cessar-fogo".
Amr Mussa evitou olhar para o presidente israelense durante todo seu discurso.
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