Notícias » Mundo » Mundo

 Militantes ameaçam matar seis reféns no Iraque
21 de julho de 2004 12h37 atualizado às 12h37

A rede de televisão por satélite árabe Al-Arabya exibiu hoje um vídeo de um grupo autodenominado As Bandeiras Negras, no qual seus integrantes afirmam ter seqüestrado três indianos, dois quenianos e um egípcio e ameaçam matá-los. O grupo exige que o kuwaitiano que emprega as vítimas se retire do Iraque. Se isso não acontecer, ameaçam matar um refém a cada 72 horas a partir das 20h de hoje no Iraque (13h de Brasília).

"Já advertimos todos os países, todas as companhias, todos os empresários e todos os motoristas que colaboram com as tropas de ocupação, de que são alvo dos mujahedines (combatentes islâmicos)", diz o grupo em comunicado enviado junto à fita de vídeo.

No vídeo, um refém, identificado como o egípcio Mohamed Ali Sanad, pede a seu patrão que abandone o Iraque.

Na gravação, um dos capturados, escoltado por vários homens armados, ergue um pedaço de papel em que estão escritos os nomes dos seis reféns e suas nacionalidades.

O novo seqüestro foi anunciado 24 horas depois da libertação do motorista filipino Angelo de la Cruz, após o governo de Manila cumprir a exigência dos seqüestradores de retirar seus 51 militares do Iraque.

Desde abril, mais de 60 estrangeiros foram capturados no Iraque. Alguns foram libertados, outros assassinados por seu seqüestradores, e outros permanecem reféns.

Ação das guerrilhas
O primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, disse hoje que as forças de segurança do país estavam conseguindo sufocar a ação de guerrilhas insurgentes apesar de os ataques parecerem mais mortais agora. "Recentemente, o número de incidentes na área de segurança começou a cair. É verdade que os ataques estão agora se tornando mais violentos, mas o número de ataques, na verdade, caiu," afirmou Allawi em entrevista à rede de TV estatal da Jordânia.

O premiê atribuiu o fato aos meses de esforços, realizados com o apoio dos EUA, para tornar os militares iraquianos capazes de enfrentar os insurgentes, responsáveis por realizar ações quase diárias contra as forças de ocupação lideradas pelos norte-americanos e contra as forças iraquianas. "Isso está acontecendo enquanto melhora a habilidade de nossas forças, sejam elas policiais, militares ou de inteligência", acrescentou.

Allawi ainda reconheceu estar longe de terminar a campanha para sufocar definitivamente os militantes islâmicos vindos do exterior e os ativistas remanescentes do regime do ex-ditador Saddam Hussein. "Haverá um período de sofrimento. Mas nós acabaremos vencendo e não há dúvida sobre isso. O Iraque irá se recuperar e surgirá mais forte. Daí, ele poderá levar estabilidade para toda a região," acrescentou.

Allawi, em declarações dadas ao final de uma visita de dois dias a Amã, disse que esse país, o Egito, os Emirados Árabes Unidos e o Marrocos haviam ajudado a fortalecer o aparato de segurança do Iraque. "Agora, eles estão intensificando sua ajuda a fim de que superemos nossos problemas na área de segurança", afirmou, sem dar maiores detalhes.

Redação Terra