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 Obama tenta aproximação com McCain após eleição
19 de janeiro de 2009 10h25 atualizado às 10h52

David D. Kirkpatrick


Não muito tempo depois que o senador John McCain retornou de uma viagem oficial ao Iraque e ao Paquistão, no mês passado, ele recebeu um telefonema do presidente eleito Barack Obama. Como candidatos à presidência os dois passaram boa parte de 2008 trocando ataques pesados por suas abordagens conflitantes quanto à política externa especialmente o Iraque. (Ele perderia a guerra! Ele nos manteria lá por 100 anos!) Agora, porém, Obama vem dizendo que gostaria de receber os conselhos de McCain, de acordo com algumas pessoas bem informadas sobre a conversação entre eles. O que o senador viu em sua viagem? O que ele aprendeu?

Era apenas um passo em um processo de aproximação pós-eleitoral que, segundo os historiadores, tem poucos paralelos modernos, iniciado por uma conversa particular no escritório de Obama em Chicago apenas duas semanas depois da votação. Na noite de segunda-feira, McCain será o convidado de honra em um jantar formal no qual a posse de Obama será celebrada. Nos últimos três meses, Obama discretamente consultou McCain sobre diversos dos potenciais indicados do novo governo a postos de segurança nacional, bem como sobre outras questões - em um caso fazendo a um dos candidatos perguntas que McCain sugeriu.

O senador republicano, enquanto isso, disse a colegas que "muitas dessas indicações eu mesmo poderia ter feito", de acordo com o senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, um amigo próximo de McCain. Fred Greenstein, professor emérito de ciência política na Universidade de Princeton, disse que "não acredito que haja precedente para isso. Às vezes há ressentimentos, às vezes há indiferença, mas raramente há um relacionamento positivo".

É "uma decisão típica de Obama", disse Greenstein, afirmando que o impulso constante do presidente eleito é o de conquistar mesmo seus opositores ideológicos, e isso data ao menos das amizades que formou com colegas conservadores quando presidia a Harvard Law Review. Para Obama, cooperação com o adversário derrotado poderia também oferecer um aliado útil no Senado, onde McCain transformou sua popularidade nacional e sua reputação como alguém que pensa independentemente em vantagens que lhe deram posição chave nas negociações dos últimos oito anos. Mas, especialmente no que tange ao Iraque, a colaboração entre eles poderia suscitar dúvidas entre os partidários mais esquerdistas de Obama, muitos dos quais criticaram McCain pelo perigo que seu temperamento belicoso poderia causar, tendo em vista sua oposição ferrenha a uma retirada.

Obama chegou para a reunião dos dois em Chicago, em 16 de novembro, com diversas propostas bem pesquisadas de colaboração quanto a algumas das causas favoritas de McCain, entre as quais uma comissão para reduzir os "benefícios sociais" a empresas, o combate ao desperdício nos contratos militares e uma reforma nas leis de imigração. "A comissão sobre as medidas exageradas de proteção a empresas e a reforma nos sistemas de aquisição das forças armadas são duas coisas que o presidente eleito deseja implementar muito rápido", disse Rahm Emanuel, que será o chefe da Casa Civil de Obama e participou da reunião. O novo governo já está preparando a apresentação de um projeto de lei que ecoa uma idéia anterior de McCain sobre a comissão, declarou Emanuel em entrevista, acrescentando que "nós respeitamos muito as idéias dele e as tratamos com grande solicitude".

Emanuel disse que não se lembrava de qualquer discussão sobre o Iraque. "Barack deixou claro que manteria sua idéia de uma redução responsável de forças, e não alterou sua posição quanto a isso", disse Emanuel. Mas Graham, que acompanhou McCain à reunião, disse que Obama adotou tom distintamente quanto ao Iraque, se comparado às suas posições de campanha, enfatizando o que as opiniões dele e de seu antigo oponente tinham em comum. "Ele disse compreender que havia diferenças entre nós, mas queria nos informar que compreende, igualmente, que precisamos ser responsáveis na forma pela qual nos retiramos do Iraque", disse Graham. "O que o governo Obama-Biden vem discutindo é como não perder os ganhos que obtivemos".

Ele acrescentou que "Obama não quer ser o homem que perdeu o Iraque quando a vitória estava tão próxima". Emanuel, cujo único contato anterior com Graham, havia sido a negociação de termos para os debates presidenciais na televisão, começou a telefonar para ele há mais de uma semana para manter o senador atualizado. "Constantemente", disse Emanuel. "O diálogo entre nós vem sendo permanente". Graham, de sua parte, definiu o colega de negociação como "alguém com que é um prazer dialogar".

Uma porta-voz de McCain não respondeu a diversos contatos. Mas Graham disse que ele e McCain estavam convictos de que Obama estava genuinamente interessado em trabalhar com eles tanto no que tange a prioridades domésticas quanto na política externa. "Não só isso representa uma posição política inteligente", disse Graham, "como nos permite saber com quem estamos lidando de fato".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
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