A agência, que preserva sua neutralidade, informou ter recebido relatos não confirmados de que uma estação de ambulâncias do Crescente Vermelho palestino foi atingida durante a noite em Jabaliya, local de um campo de refugiados.
"Estamos enfrentando uma crise de proporções enormes em termos humanitários. A situação da população da Faixa de Gaza é extrema e traumática...", disse Pierre Kraehenbuehl, diretor de operações do CICV, num briefing à imprensa em Genebra.
"Pedimos a todas as partes, especialmente a Israel, que faça mais para permitir que o Crescente Vermelho palestino e outros serviços médicos façam seu trabalho e salvem vidas", disse.
O movimento de ambulâncias e funcionários humanitários continua extremamente difícil e perigoso, segundo o veterano suíço da ajuda humanitária, apesar "da disposição declarada das autoridades israelenses de facilitar a realização de atividades humanitárias".
O acesso a atendimento médico na Faixa de Gaza piora a cada dia, disse ele. Dois hospitais estão prestes a ficar sem combustível para seus geradores, que são sua única fonte de energia.
"Muitas pessoas em Gaza não estão recebendo o atendimento médico de emergência necessário. Algumas estão morrendo porque as ambulâncias não conseguem chegar a elas a tempo, o que é francamente terrível", disse Kraehenbuehl.
Israel e as autoridades palestinas precisam fazer todos os esforços "para manter civis fora da linha de fogo", disse ele.
Entre 580 e 600 pessoas já morreram nos 11 dias de conflito, e cerca de 3.000 ficaram feridas, disse ele, embora o CICV não tenha verificado esses números separadamente.
Quatro israelenses morreram e 60 ficaram feridos por foguetes disparados desde a Faixa de Gaza contra o sul de Israel, disse Kraehenbuehl.
Israel lançou sua ofensiva depois de o Hamas ter posto fim a uma trégua de seis meses, no mês passado, e intensificado os disparos de foguetes, em resposta a investidas israelenses e o bloqueio da Faixa de Gaza.
De acordo com Kraehenbuehl, funcionários do CICV em Gaza informaram que a noite passada "foi a mais assustadora de todas".
A agência sediada em Genebra não tem informações se civis palestinos estão sendo usados como escudos humanos - conforme alegado por Israel, que diz que o Hamas está disparando foguetes desde áreas densamente povoadas e armazenando armas em casas e mesquitas.
"Do mesmo modo como estamos dizendo que é importante que Israel tome todas as medidas possíveis para distinguir entre alvos civis e militares, é importante destacar que, pela lei humanitária internacional, é proibido colocar esses alvos militares no meio de civis", disse Kraehenbuehl.
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