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EUA entrarão em guerra civil em 2010, diz analista

02 de janeiro de 2009 14h55 atualizado às 14h57

A crise econômica atual e uma futura guerra civil nos Estados Unidos vão impulsionar a divisão da maior potência do planeta em repúblicas que ficarão sob influência de diversos países. A opinião é do analista russo Igor Panarin, um ex-agente da KGB que atualmente lidera a formação de diplomatas no Ministério das Relações Exteriores, em Moscou. Apesar de improvável, sua tese vem ganhando espaço na mídia russa nas últimas semanas.

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"Há entre 45% e 55% de chance de que a desintegração dos Estados Unidos aconteça", disse Panarin, em entrevista do Wall Street Journal. O especialista em relações EUA-Rússia acredita que, apesar de um quadro como esse não ser o melhor para Rússia em curto prazo, já que o país depende muito do dólar e do comércio com os americanos, a queda dos Estados Unidos colocará a Rússia novamente em destaque no cenário internacional.

Para Panarin, no próximo outono, a imigração em massa, o declínio econômico e a degradação moral levarão os Estados Unidos a uma guerra civil, que causará o colapso do dólar. Aproximadamente no fim de junho ou no começo de julho de 2010, segundo ele, o país, que então será comandado por Barack Obama, acabará dividido em seis partes - inclusive com o Estado do Alasca sendo revertido ao controle russo.

Depois de passarem uma década sendo desacreditadas, as idéias de Panarin vêm sendo discutidas por especialistas locais, além da cobertura estatal russa, segundo o WST. Recentemente ele apresentou sua teoria em uma discussão no Ministério das Relações Exteriores. Na TV, um jornalista disse que as teorias de Panarin "refletem o alto grau de antiamericanismo existente na Rússia hoje em dia".

Estados Divididos

A previsão de Panarin é baseada em dados da FAPSI, órgão russo equivalente à Agência Nacional de Segurança americana. Ele crê que problemas econômicos e demográficos provocarão uma crise social nos Estados Unidos. Quando isso acontecer, os Estados mais "saudáveis" vão reter fundos federais e automaticamente haverá uma secessão. Isso causará descontentamento social e inclusive uma guerra civil.

Depois da divisão, os Estados dos EUA formarão repúblicas sob influência de outras nações. A Califórnia formará um núcleo que ele chama de "República da Califórnia". Ela fará parte da China ou ficará sob influência chinesa. O Texas será o coração da "República do Texas", um núcleo de Estados que fará parte do México. Já Washington e Nova York farão parte da "República Atlântica", que deve fazer parte da União Européia.

Ainda há a "República Centro-Norte Americana", da qual farão parte os Estados do norte, que ficarão sob influência canadense, o Havaí, que será da China ou do Japão, e o Alasca, que será controlado pela Rússia. "É razoável que a Rússia fique com o Alasca, já que ele fez parte do Império Russo por um longo período", defende Panarin. Sobre a esperança depositada em Barack Obama, o especialista é bem claro.

"Os americanos acreditam que o presidente eleito Barack Obama pode 'operar milagres', mas quando a primavera chegar ficará claro que não há milagres", escreveu Panarin em um artigo publicado recentemente no jornal Izvestia, um dos maiores diários da Rússia. No texto, ele também defende que a China e a Rússia vão assumir o papel de regulador financeiro mundial, papel hoje desempenhado por Washington.

Igor Panarin é doutor em Ciência Política e professora da Academia Diplomática do Ministério das Relações Exteriores da Rússia. É autor de nove livros, entre eles Infowar and power (Guerra de Informação e Poder), Infowar and world (Guerra de Informação e o Mundo) e Infowar and election (Guerra de Informação e Eleições). Além disso já publicou artigos em várias revistas especializadas em política e vem participando de debates sobre a relação entre Rússia e EUA em emissoras de TV.

Redação Terra