Governo de Kabila é marcado por caos e corrupção

20 de dezembro de 2008 • 22h13 • atualizado às 22h13

Horand Knaup

Alemanha


O auxílio mais importante que Nkunda vem recebendo - e certamente prestado de maneira nada voluntária - é o do presidente do Congo, Joseph Kabila. Ele está tentando governar um país de enorme extensão da cidade de Kinshasa, a capital, que fica em uma região periférica.

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O problema é que Kabila, depois de oito anos no poder, ainda não conseguiu sair do estágio de testes. Sua administração central está entre as mais corruptas do mundo. Existem ministros que são acionistas de minas, ministros que dirigem companhias de transporte aéreo e ministros que embolsam o dinheiro que deveria ser usado para pagar os soldos das forças armadas.

O orçamento pessoal do presidente é 20 vezes superior ao orçamento de saúde de todo o país. Mesmo assim, os dois Kabila, pai e filho, contaram por muito tempo com amplo apoio do povo congolês. Mas esse apoio é coisa do passado, agora que a exaurida população congolesa percebeu que nada mudou no país desde que Mobutu foi derrubado.

No Congo de Kabila, a polícia e os tribunais funcionam de maneira precária; não existe sistema de educação; não há estradas ou um sistema funcional de transporte.

Pela metade do ano, ao menos duas dúzias de detentos haviam morrido de fome nas penitenciárias da província de Kasai Leste. Em Butembo, cerca de 200 quilômetros ao norte de Goma, apenas 10 dos 200 detentos na cadeia local passaram por julgamentos organizados de acordo com o que dispõe a lei.

Os professores já não recebem seus salários do governo, e sim de mensalidades pagas pelos pais dos alunos. Se um congolês precisa viajar ao exterior, o cidadão precisa viajar a Kinshasa para obter um passaporte, e o custo equivale a US$ 1 mil, ou diversos anos de salário para um cidadão comum.

Uma organização governamental conhecida como Conader, cujo objetivo seria supostamente o de coordenar o desarmamento das diversas milícias, fracassou miseravelmente em sua missão. O Banco Mundial, o governo da Holanda e outros doadores injetaram mais de US$ 400 milhões para bancar o programa de desarmamento.

Alguns milhares de soldados das milícias receberam cada qual um pagamento de US$ 110 pela entrega de suas armas, mas já não havia fundos suficientes para ajudar esses antigos combatentes a construir casas para suas famílias, como o governo havia prometido. O dinheiro simplesmente desapareceu, e quando uma comissão de investigação tentou investigar a maneira pela qual os fundos eram distribuídos em Kinshasa, um incêndio destruiu todos os registros contábeis.

O problema mais sério do país é a falta de segurança. Agora, só o poder pode garantir que a lei e a ordem sejam mantidas. Os soldados do exército de Kabila, por exemplo, estão entre os mais notórios saqueadores do leste do Congo. Quando eles fugiram apressadamente da frente de batalha e passaram pela cidade de Goma, em outubro, diante do avanço das forças de Nkunda, confiscaram carros e motocicletas.

Quem se recusasse a entregar seu veículo terminava fuzilado. "A maioria das tropas do governo poderia ser dispensada", diz um oficial da Monuc em Goma. "Eles são péssimos". Por desespero, e para limitar os ataques à população civil, a Monuc começou a entregar pacotes de alimentos aos soldados do governo.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

Der Spiegel
 
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