Nascido em 1950, colaborador da agência Cuba Press e criador de De Cuba, primeira revista independente cubana, González Alfonso cumpre pena de 20 anos de prisão.
Por causa de seu delicado estado de saúde, o repórter foi libertado em algumas ocasiões, mas desde janeiro é mantido na prisão.
Seu companheiro e amigo Alejandro González, que também esteve na prisão até fevereiro, recebeu o prêmio das mãos da iraniana e vencedora do prêmio Nobel da paz Shirin Ebadi.
Do palanque, ele leu uma carta de González Alfonso, que quis compartilhar o prêmio com os 19 repórteres que permanecem na cadeia desde 2003, quando a ditadura cubana prendeu 75 dissidentes, 27 deles jornalistas.
"Este presente não é o fim dos tempos, mas o prelúdio de uma época na qual não haverá grades nem no interior, nem no exterior", afirmou o jornalista em sua carta.
González Alfonso assegurou ter procurado sempre "a liberdade da palavra" apesar "da pressão do regime e da censura".
Após haver trabalhado durante anos na televisão oficial cubana, onde se ocupava de programas infantis, em 1995 começou a colaborar com a Cuba Press.
Em 1998, tornou-se correspondente na ilha da RSF e co-fundou junto com Raúl Rivero a Sociedade Manuel Márquez Sterling dedicada à formação de jornalistas independentes.
"Queríamos divulgar informações livres", lembrou o jornalista na mensagem lida hoje, no qual assinalou que dos 27 repórteres detidos em 2003 pela ditadura, 18 pertenciam a esta associação.
Na De Cuba, o jornalista tratou de temas que estavam à margem da imprensa oficial, como o racismo na ilha, ou o chamado "projeto Varela" que reivindicou uma abertura democrática do regime.
Após o primeiro número, que saiu em dezembro de 2002, o segundo foi apreendido em fevereiro de 2003.
Acusado de ser um "soldado dos Estados Unidos" e de atacar "a independência e a integridade de Cuba", González Alfonso foi condenado a 20 anos de prisão.
"Em meu cativeiro minhas convicções se reforçaram e tenho certeza que a luta pacífica que iniciamos vale a pena. Apesar das duras condições que sofremos, seguiremos lutando por uma Cuba com liberdade de opinião", declarou.
Com este prêmio, a RSF afirmou que quer lembrar que o regime cubano ainda mantém presos 19 dos jornalistas detidos em 2003.
A libertação da maioria deles levou à comunidade internacional a reduzir a pressão e as sanções contra Havana, mas 19 seguem ainda presos.
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