EUA abrem agência para regular alimentos chineses

19 de novembro de 2008 • 21h33 • atualizado às 21h33

Andrew Jacobs e Mark McDonald

São Paulo


Os Estados Unidos abriram um escritório da Food and Drug Administration (FDA, agência federal norte-americana que regulamenta alimentos e remédios) na capital chinesa quarta-feira, o primeiro de diversos escritórios que serão abertos no exterior a fim de fiscalizar a segurança de alimentos e remédios que serão exportados aos Estados Unidos.

A abertura do escritório surge depois de uma série de escândalos que envolvem pasta de dentes, ração para animais de estimação, medicamentos e leite chineses. Nos próximos meses, a FDA planeja abrir estações de inspeção em Xangai e Guangzhou; outros escritórios serão abertos na Índia e na América Latina.

"Estamos abrindo uma nova era, e não apenas novos escritórios", disse Mike Leavitt, secretário da Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, ao anunciar "uma presença permanente da FDA na China".

Os Estados Unidos importaram mais de US$ 321 bilhões em bens chineses no ano passado, e Leavitt reconheceu na terça-feira que "é evidente que não se pode inspecionar tudo". O objetivo do novo escritório, afirmou, seria garantir os padrões de segurança e o controle de qualidade para os alimentos e bens de consumo "no ponto de fabricação".

Todos os três escritórios trabalharão em colaboração com agências similares do governo chinês para inspecionar produtos dirigidos aos Estados Unidos. Também certificarão inspetores terceirizados que terão poderes para aprovar a qualidade e a segurança dos bens de exportação.

De acordo com um relatório do Serviço de Fiscalização do Governo dos Estados Unidos, as inspeções da FDA vêm sendo "desorganizadas, ineficientes e ineficazes". O texto afirma que "os esforços de fiscalização e policiamento da FDA não acompanharam o ritmo do crescente número de empresas fabricantes de alimentos". Como resultado, a FDA tem pouca garantia de que as empresas estejam de fato cumprindo "as leis e regulamentos sobre identificação e rotulação de alimentos".

O Departamento da Agricultura dos Estados Unidos tem a tarefa de monitorar a segurança da carne e dos ovos importados para o país, que respondem por 20% da oferta de alimentos norte-americana. A FDA responde pelos demais 80% - virtualmente todos os outros alimentos, vitaminas, suplementos e produtos farmacêuticos, bem como pelo equipamento médico.

Cerca de 15% do suprimento de alimentos do país é importado, de acordo com o estudo. No caso das frutas e legumes frescos, 60% são importados, e esse nível chega a 75% entre os frutos do mar.

Os escritórios da FDA serão dirigidos cada qual por oito funcionários descritos como "inspetores e especialistas técnicos sênior em alimentos, remédios e aparelhos médicos".

A inauguração dos escritórios surge menos de uma semana depois que funcionários da FDA ordenaram a retenção de ampla gama de produtos chineses nas fronteiras do país, mencionando possíveis riscos de saúde. Os produtos, que incluíam doces, chocolates e salgadinhos, contêm leite ou leite em pó.

Pequim objetou à decisão, afirmando que os produtos haviam sido certificados por inspetores chineses sob novos e mais severos padrões de fiscalização.

A China sofreu um abalo devido a um escândalo causado por leite contaminado, há alguns meses, já que leite em pó e outros laticínios produzidos no país apresentaram concentrações elevadas de melamine, um produto químico utilizado para produzir plásticos e fertilizantes. Ao menos quatro crianças chinesas morreram depois de beber o leite contaminado, milhares tiveram de ser hospitalizadas e cerca de 50 mil adoeceram.

Até mesmo os consumidores chineses parecem cautelosos com relação a laticínios produzidos no país, o que causou preocupação suficiente para que o governo de Hong Kong, por exemplo, poste diariamente em seu site os resultados de testes sobre a presença de melamine.

Ainda na sexta-feira, o Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong postou um alerta aos consumidores, recomendando que evitassem dois tipos de doce e certos lotes da manteiga Country Life, nos quais foram encontrados "pedaços de plástico".

Tradução: Paulo Migliacci

The New York Times
 
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