"A verdade é mais forte que a imoralidade e a calúnia", declara Menem em comunicado publicado hoje pela imprensa local em resposta à decisão do juiz federal Ariel Lijo, que convocou o ex-presidente a prestar depoimento em 9 de dezembro.
Mais de 14 anos após o atentado contra a sede da Amia, realizado em 18 de julho de 1994 e que deixou 85 mortos e 200 feridos, a Justiça diz ter provas para exigir que Menem responda se ordenou o desvio das investigações de um cidadão sírio vinculado a quem é considerado o mentor do ataque, o ex-diplomata iraniano Mohsen Rabbani.
A pedido da Procuradoria, Lijo convocou Menem e outras oito pessoas, entre eles o ex-chefe dos serviços secretos Hugo Anzorreguy e Juan José Galeano, o juiz que investigou o ataque terrorista.
No caso da Amia, o promotor Alberto Nisman acusa Menem de ser uma das pessoas que protegeram "quem desde o início das investigações aparecia como um dos principais suspeitos" do atentado contra a instituição judaica, em referência ao sírio Alberto Kanoore Edul, vinculado a Rabbani.
Ao todo, 22 pessoas, entre elas vários ex-policiais acusados de cumplicidade no atentado, foram absolvidas em setembro de 2004 por falta de provas após quase três anos de julgamento, o que causou um escândalo na opinião pública e abriu o processo que destituiu Galeano.
O ataque à Amia foi o segundo atentado terrorista contra alvos judeus na Argentina, após o ataque à Embaixada de Israel em Buenos Aires, cometido em 17 de março de 1992 e que causou a morte de 29 pessoas.
Os dois atentados foram atribuídos a organizações terroristas islâmicas, e a Justiça argentina ordenou a prisão de oito iranianos, entre eles o ex-presidente do Irã Hashemi Rafsanjani, o que foi negado pela república islâmica.
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