Deborah Solomon
Estados Unidos
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O presidente eleito conquistou 1,5% a mais de votos do que George W. Bush em 2004, e o fez - o digo com o maior respeito - adotando os métodos de campanha de Bush, ao utilizar um vasto exército de voluntários para persuadir as pessoas, identificar possíveis eleitores e levá-los às urnas.
Mas e quanto ao seu sonho pessoal de criar uma criar uma maioria governista republicana permanente, em Washington?Eu jamais disse "permanente". Disse "duradoura" .
O senhor acredita que John McCain atacou demais durante a campanha ou que ele não tenha atacado o bastante?Dissecar uma campanha dessa maneira nunca ajuda.
O senhor foi apresentado a Barack Obama?Sim, eu o conheço. Ele já estava no Senado enquanto eu trabalhava na Casa Branca, e temos um amigo comum, Ken Mehlman, que foi seu colega de classe quando ele estudou Direito. Quando Obama ia à Casa Branca, conversávamos sobre o nosso amigo comum.
Os senhores almoçavam juntos? Conversavam no corredor?Nós conversávamos na sala de reuniões, antes que a reunião começasse. Ele tinha o hábito de chegar antes do horário, o que é prova de cortesia.
O senhor pretende lhe enviar um bilhete de congratulações?Já mandei. Enviei uma nota ao seu escritório. Era um bilhete manuscrito, em um envelope com selos humorísticos.
Que tipo de selos?Selos.
O senhor tem algum conselho para ele? O escolhido de Obama para o posto de chefe de sua Casa Civil, Rahm Emanuel, foi criticado pelo senhor por representar uma escolha excessivamente partidária.Eu na verdade expressei dúvida sobre esse ser o posto que melhor permitiria aproveitar o talento de Rahm Emanuel. Se você está tentando implementar uma forte prioridade legislativa, é difícil ir adiante com facilidade caso o sujeito escolhido para o trabalho seja um militante duro, feroz, inflexível, veemente, belicoso e hostil de um dado partido.
Mas e quanto ao senhor? O senhor mesmo sempre foi um político de extremo partidarismo.Mas eu não era chefe da Casa Civil. E se você soubesse quantos democratas eu vim a conhecer, e com quantos deles vim a dialogar e a trabalhar de forma cooperativa, ficaria surpresa.
O senhor gosta de Joe Biden.Creio que ele ostente uma estranha combinação de longevidade e de loquacidade que, em Washington, muitas vezes passa por sabedoria.
O senhor lamenta qualquer coisa que tenha acontecido na Casa Branca durante seu período de trabalho para o presidente Bush?Certamente.
Nos últimos meses, o senhor teve de deixar alguns palanques devido a vaias.Não, não foi isso que aconteceu. Fui vaiado no palanque. Sou um sujeito duro o bastante para não deixar o palanque simplesmente porque alguém diz uma coisa desagradável.
O senhor acredita que a era da negatividade na política esteja encerrada?Não.
O senhor se vê associado a ela, de qualquer que seja a maneira?Veja, em 1800, Thomas Jefferson, que tem uma reputação de quase santidade, contratou um notório caluniador chamado James Callender, que trabalhava como redator em um jornal republicano de Richmond, Virgínia. Leia algumas das coisas que ele escreveu sobre John Adams. Aquilo era difamação pessoal clara.
O que ele afirmava?Que Adams não tinha a retidão de um homem e tampouco o caráter de uma mulher. A política da negatividade sempre existiu.
O senhor se vê como praticante dela?Não.
O senhor jamais repudiou o presidente Bush.Não, e jamais o farei. Ele agiu da maneira certa.
Mas e quanto ao Iraque e à economia?O mundo é um lugar melhor sem Saddam Hussein.
O senhor teria algum conselho para Bush, agora?Com todo respeito, não preciso de você para transmitir qualquer coisa que tenha a dizer a um homem de quem sou amigo há 35 anos. Lembre-se, a política de ataque é coisa do passado. Vivemos uma era de cortesia. Foi você que magoou meus sentimentos ao dizer que não confiava em mim.
Eu disse isso?Sim, disse. Tenho tudo registrado em fita. Vou transcrever a conversa e enviá-la a você.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times Magazine