Merkel estuda situação de Hesse antes de eleição alemã

11 de novembro de 2008 • 14h28 • atualizado às 15h07

Judy Dempsey

Estados Unidos


Os conservadores alemães liderados pela chanceler primeira-ministra Angela Merkel têm uma chance inesperada de reconquistar o controle político do Estado de Hesse, um dos maiores do país, que abriga Frankfurt, a capital financeira alemã, meses antes da eleição geral marcada para 2009.

Nos últimos meses, a política alemã vem sendo caracterizada por divergências e disputas que despertaram dúvidas sobre a probabilidade de que governos fortes venham a ser eleitos, em nível federal ou nos Estados. O país sente profunda necessidade de liderança, à medida que a crise financeira e a recessão abalam a mais forte economia da Europa, mas os partidos tradicionais da esquerda e da direita estão perdendo terreno.

Meses de disputa e de vazio no poder em Hesse terminaram em um impasse que forçou os sociais-democratas a declarar que não são capazes de formar uma coalizão governante no Estado. Isso oferece ao partido de Merkel, e ao seu líder em Hesse, Roland Koch, uma chance de vencer as eleições estaduais marcadas para janeiro.

Koch foi derrotado nas eleições estaduais 10 meses atrás, depois de conduzir uma campanha que seus críticos definiram como anti-imigração. Mas ele teve de se manter no poder à frente de um governo interino, e as pesquisas de opinião o apontam como franco favorito em janeiro. Os líderes partidários da União Democrata Cristã, a força liderada por Merkel, estão preparando uma grande campanha para Koch, um político ambicioso que no passado era visto como possível candidato ao posto de primeiro-ministro federal.

Os sociais-democratas, que tentaram formar um governo minoritário de coalizão com o Partido Verde, hesitaram quanto a incluir ou não nesse grupo o Partido de Esquerda, uma organização radical, e por fim abandonaram sua tentativa de formar um governo, no final de semana. Os sociais-democratas escolheram um político local desconhecido, Thorsten Schäefer-Gümbel, para liderá-los na eleição de janeiro.

A disputa será acirrada em Hesse, já que a votação local antecederá em apenas alguns meses as eleições nacionais, que têm de acontecer antes do final do ano que vem. Merkel fará campanha pela reeleição, e se afastará dos sociais-democratas, com os quais governa em uma coalizão desconfortável desde que as eleições de 2005 não resultaram em vencedor claro.

Recentemente, os conservadores vinham se saindo mal junto aos eleitores, mais especialmente na eleição do mês passado na Baviera, onde no mês passado a União Social Cristã, parceira dos democratas cristãos no sul do país, perdeu sua maioria absoluta pela primeira vez desde os anos 60.

Mas os sociais democratas foram enfraquecidos pelos conflitos internos entre os moderados e os esquerdistas mais tradicionais, quanto à política econômica e social. Por isso, não foram capazes de explorar os problemas que afligem os conservadores.

As pesquisas de opinião atribuem aos sociais-democratas cerca de 26% das intenções nacionais de voto, ante 37% para o bloco conservador. O Partido de Esquerda, que consiste de sindicalistas da Alemanha ocidental e de antigos comunistas da Alemanha oriental, tem cerca de 12% dos votos. Até o momento, os sociais-democratas rejeitaram qualquer forma de aliança com os esquerdistas.

Koch se beneficiou dos conflitos internos dos sociais democratas em Hesse. A líder do partido no Estado, Andrea Ypsilanti, ofereceu forte oposição a Koch na eleição de janeiro, quando obteve 36,7% dos votos, ante seus 36,8%.

Ypsilanti rejeitou reproduzir em nível estadual a ¿grande coalizão¿ do governo federal e tentou formar um governo minoritário com os verdes, contando com apoio informal da Esquerda. O plano fracassou na semana passada quando quatro líderes sociais-democratas do Hesse se rebelaram contra o plano.

Decepcionada, Ypsilanti anunciou no final de semana que não disputaria nova eleição contra Koch. A posição dela já havia sofrido abalos devido às críticas que lhe foram feitas por importantes líderes sociais-democratas, entre os quais Frank-Walter Steinmeier, ministro do Exterior e candidato social-democrata à sucessão de Merkel no ano que vem.

Tradução: Paulo Migliacci.

Herald Tribune
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »