Bolívia pede que agência antidrogas dos EUA deixe país

02 de novembro de 2008 • 14h44 • atualizado às 16h24

O governo da Bolívia disse neste sábado que "o lógico" é que os funcionários da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) abandonem o país após a suspensão de suas atividades anunciada pelo presidente, Evo Morales.

O ministro do Governo, Alfredo Rada, em entrevista à televisão estatal, apontou que "já não tem justificativa a permanência de agentes da DEA na Bolívia quando suas atividades estão suspensas".

O presidente boliviano, Evo Morales, anunciou no último sábado a suspensão indefinida das operações da DEA na Bolívia depois de acusá-la de "espionagem", poucos meses após expulsar o embaixador americano em La Paz, Philip Goldberg.

Rada ratificou as denúncias do presidente contra a DEA ao assegurar que a entidade se dedicava a "uma preocupante atividade propriamente política" e de "espionagem".

"Foi detectado que há atividade de controle, de acompanhamento político e de escutas", denunciou o ministro Rada, que qualificou esses fatos de algo "inadmissível" e "absolutamente ilegal".

Rada também assegurou que entre os recursos da DEA "bastante dinheiro foi desviado a atividades conspirativas e desestabilizadoras" contra o Governo.

O ministro também destacou que "é possível encarar com esforços próprios, mas também regionalizados", a luta contra o narcotráfico.

"Colocamos que a Unasul, a União de Nações Sul-americanas, forme não somente um organismo de acompanhamento ao que é a luta contra as drogas, mas também possa constituir um fundo regional", destacou.

Rada reiterou que o Executivo espera reavaliar as relações com a DEA com o novo Governo americano, que sairá das eleições da próxima terça-feira.

"Trata-se de uma decisão tomada à espera de um novo Governo emergente das eleições que acontecerão nos EUA na próxima semana, caso melhores condições sejam geradas", acrescentou Rada.

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