Motoristas rodando a no máximo 20km/h, ausência de semáforo, ciclistas permitidos a andar no sentido contrário ao da circulação e pedestres com total liberdade para caminharem onde quiserem na rua − inclusive entre os carros. O conceito de "zonas de encontro", já existente em algumas cidades da Suíça, Bélgica e Áustria, está a um passo de ser adotado em cidades maiores da França.
Strasbourg, no nordeste francês, é uma das interessadas. A cidade de 272 mil habitantes planeja tornar a área central uma grande zona de encontro, em que o pedestre vira o rei do trânsito e não tem obrigatoriedade de caminhar apenas nas calçadas: ele pode avançar na rua, nos corredores de ônibus e atravessar via quando bem entender.
"Por enquanto estamos em um procedimento experimental e queremos dar prioridade máxima aos pedestres e aos ciclistas. As zonas de encontro certamente terão seu lugar no nosso trânsito em breve", disse o secretário de Urbanismo de Strasbourg, Alain Jund.
O sistema foi incluído no Código de Trânsito do país no último dia 30 de julho, e estabelece que desde uma praça, uma rua ou ainda a região central dos municípios podem se tornar regiões adaptadas para a prática da zona de encontro.
A finalidade é a de primeiramente reduzir o número de acidentes. Dados do Centro de Estudos sobre as Redes de Transporte e Urbanismo (Certu), do Ministério da Ecologia e do Desenvolvimento francês, constatam que a cada quilômetro por hora a menos na velocidade dos carros, o índice de acidentes reduz 4%. Portanto, a máxima de 20kh/h traria animadores resultados para a segurança nas ruas.
Estatísticas para adoção do método é que não faltam: quando um automóvel circula a 50km/h e é obrigado a frear, ele ainda percorre distância média 29 metros até parar completamente. Se essa velocidade se reduz a 20km/h, a distância diminui para 8 metros. Além disso, as chances de sobrevivência de uma pessoa atropelada por um carro circulando respectivamente nessas velocidades passam de 20% para 93%.
A segunda razão para a adoção do sistema é a integração entre os atores do trânsito. Com o pedestre não mais precisando dar a preferencial para os motoristas e nem podendo cruzar a rua apenas em lugares determinados − as faixas de segurança −, mas sim tendo permissão para atravessar onde e quando quiser, os condutores aprendem a respeitar mais aqueles que circulam apenas com os próprios pés.
A lição passaria a valer instintivamente quando o motorista volta a transitar em regiões "normais", e por conseqüência o índice de acidentes se reduz de maneira global.
No ano passado, 1.359 pessoas morreram e 67.780 ficaram feridas em conseqüência de tragédias no trânsito na França, a maioria deles sendo pedestres (27,8%), e ciclistas (14%). Embora, para os brasileiros, as estatísticas francesas pareçam um sonho distante, no país europeu elas preocupam e são constante alvo de campanhas educativas e de sensibilização.
Para que tudo funcione adequadamente e o pedestre não corra riscos, as zonas de encontro carecem de adaptações especiais nas ruas, que ganham um revestimento rugoso no solo e adoção de cores diferentes para induzir à redução da velocidade. A regra da preferencial à direita também é valiosa, uma vez que os semáforos são abolidos.
"O respeito do limite de velocidade é a regra de ouro para que todo o sistema funcione", afirma Benoit Hiron, do Certu. "Essas zonas nada mais são do que intensivos de educação de motoristas no trânsito", acrescentou.
Além de Strasbourg, Metz (127 mil habitantes) e Saint-Malo (50 mil) também planejam a implantação de zonas de encontro, que na verdade são a evolução de um conceito já existente há mais de 30 anos na Europa, o das "zonas 30", áreas em que a velocidade máxima dos veículos é de 30km/h.
As zonas 30 nasceram na Suíça, onde diversas cidades atualmente também introduziram as zonas de encontro. O primeiro município europeu a transformar todo o centro da cidade em zona 30 foi Graz (240 mil habitantes), na Áustria.
- Redação Terra


Assista agora »
Assista agora »
