Morre líder da luta contra o comunismo na Polônia

17 de junho de 2004 • 08h16 • atualizado às 08h16

Jacek Kuron, lendário líder da luta da oposição democrática contra o regime totalitário comunista e ministro do Trabalho no quarto governo democrático da Polônia, morreu hoje aos 70 anos. Kuron foi um dos fundadores do sindicato que conduziu à queda do comunismo, pois, ao serem deflagradas as greves operárias de 1980, incentivou os trabalhadores a criarem sua própria organização, que em apenas alguns meses conquistou cerca de 10 milhões de filiados.

Ele chegou à política como ativista juvenil do Partido Comunista polonês dedicado à formação de novos quadros, mas seu idealismo muito em breve o polarizou com o poder totalitário. Em 1965, foi preso por ter enviado aos membros do partido, junto com seu companheiro Karol Modzelewski, uma carta aberta na qual criticara as deformações e defeitos do socialismo real.

Foi preso uma segunda vez por participar da organização de comícios e manifestações estudantis em março de 1968, quando os universitários poloneses protestaram contra a censura que proibiu a apresentação de uma peça de teatro que criticava a ditadura do império russo. Kuron fundou em 1976 o Comitê de Defesa dos Operários (KOR), cuja missão era ajudar os trabalhadores de Varsóvia e Radom que participaram de manifestações e greves contra a alta dos preços determinada pelo governo.

Em 1977, assinou com outros 58 intelectuais poloneses uma carta aberta de protesto contra as intenções do poder de modificar a Constituição da Polônia mediante a incorporação em seu texto de uma norma que estabelecia a "amizade eterna com a União Soviética". Em 1980, ajudou a fundar o sindicato Solidariedade e, depois da proclamação da lei marcial pelo general Wojciech Jaruzelski, foi preso e, com pequenos intervalos, retido nas penitenciárias comunistas até as negociações da mesa-redonda em 1989.

Nas negociações da mesa-redonda, Kuron desempenhou um papel decisivo, já que foi o construtor dos mecanismos que tornaram possível a transição democrática na Polônia. No início da década de 90, já na democracia, Kuron foi ministro do Trabalho no governo de Hanna Suchocka e, durante mais de 10 anos, foi o político que despertou mais confiança na população, inclusive quando a doença o obrigou a se retirar dessa atividade.

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