Um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores da África do Sul disse hoje que Motlanthe, presidente rotativo da SADC, será informado por seu antecessor, Thabo Mbeki, sobre as conversas entre a governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e o opositor Movimento por Mudança Democrática (MDC).
Mbeki, designado pela SADC como mediador entre a Zanu-PF e o MDC, conseguiu em 15 de setembro que os partidos rivais assinassem um pacto para formar um Governo de união nacional.
O ex-presidente sul-africano afirmou ontem em Harare que as negociações para a formação desse Executivo não estão estagnadas.
No entanto, o líder da facção majoritária do MDC, Morgan Tsvangirai, se mostrou pessimista quanto ao êxito da mediação de Mbeki.
Tsvangirai admitiu que, após quatro dias de intensas negociações com o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o líder da facção minoritária do MDC, Arthur Mutambara, não há consenso algum.
"Não chegamos a um acordo quanto à distribuição dos ministérios, e as negociações estão estagnadas", disse Tsvangirai.
O líder da oposição afirma que as conversas com Mugabe não produziram absolutamente nenhum resultado.
"Foi como uma conversa entre surdos. Mugabe é monotemático, a única coisa que diz é ''não'' a todas as nossas propostas", relatou Tsvangirai em entrevista coletiva em Harare.
No diálogo, a Zanu-PF insiste em ficar com todos os ministérios estratégicos, inclusive os de Finanças, Interior (que controla a Polícia) e Justiça, o que deixaria o MDC fora das decisões do Governo.
O acordo que as partes buscam, a partir do qual Mugabe continuaria presidente e Tsvangirai assumiria como primeiro-ministro, concede a Mutambara o posto de vice-primeiro-ministro.
O Gabinete terá 31 ministérios, 15 para a Zanu-PF, 13 para a facção do MDC liderada por Tsvangirai e três para o grupo de Mutambara.
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