Argentina manifesta "desagrado" por "ação intimidatória" do FBI

10 de outubro de 2008 • 23h26 • atualizado às 23h26

O Governo argentino manifestou hoje formalmente aos Estados Unidos sua "preocupação e desagrado" pela "ação intimidatória exercida por agentes do FBI" (a polícia federal americana) contra a ex-agente argentina que descobriu os US$ 800 mil no "caso da mala".

O chanceler da Argentina, Jorge Taiana, contatou o embaixador dos EUA em Buenos Aires, Earl Wayne, para pedir "as devidas explicações" por ter ido "contra uma testemunha argentina intimada para uma audiência" no julgamento que acontece em Miami.

A ex-agente María Luján Telpuk disse esta semana que o FBI lhe ofereceu "asilo político e emprego" nos EUA em troca de mudanças em seu testemunho.

O caso ocorreu em agosto de 2007, no aeroporto de Bueno Aires, quando Telpuk apreendeu uma mala com US$ 800 mil não declarados, soma com a qual o empresário venezuelano Guido Antonini tentava entrar na Argentina.

"Para a Argentina é inadmissível que o órgão que investiga o caso exerça uma ação dessa natureza sobre uma testemunha antes de seu depoimento", destaca a nota.

"Trata-se de uma tentativa de condicionar sua declaração exercendo uma pressão indevida que afeta a transparência que requer qualquer processo judicial e a necessária proteção e segurança das testemunhas", acrescentou a o comunicado.

Em resposta, a embaixada dos EUA disse que Wayne assegurou a Taiana "que transmitiria a Washington estas preocupações".

"O embaixador não podia fazer comentários devido a normas estritas que o proíbem de se referir a casos pendentes nos cortes federais dos Estados Unidos", especifica a nota da embaixada .

A ex-agente disse que "por sorte" não aceitou a oferta, segundo ela, "claramente uma estratégia deles" para desacreditá-la como testemunha.

Telpuk, que pela notoriedade alcançada posou nua na "Playboy", ratificou na sexta-feira passada que Antonini Wilson disse ser o proprietário da mala.

Assim, contradisse a versão do empresário venezuelano, segundo a qual a mala pertencia a um então funcionário do Governo argentino e o dinheiro estava destinado à campanha que levou Cristina Fernández à Presidência argentina.

A Justiça desse país pediu a extradição de Antonini Wilson, que não é acusado nos EUA, onde corre o processo contra o venezuelano Franklin Durán, acusado de atuar como agente da Venezuela para que o empresário não revelasse a origem e o destino do dinheiro.

Os US$ 800 mil dólares da mala supostamente vinham dos cofres da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), segundo testemunhas da Procuradoria Federal dos Estados Unidos.

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