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 Dois mil iranianos se oferecem para cometer atentados suicidas
05 de junho de 2004 18h25

Atendendo à iniciativa de uma ONG de Teerã, capital do Irã, dois mil iranianos se ofereceram para cometer atentados suicidas no Iraque e na Palestina, e também contra o escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie.

O porta-voz da Organização Não-Governamental conhecida como "Mártires do Movimento Islâmico Universal", Mohammad Ali Samadi, declarou ao periódico "Sharqh" que "um de cada quatro voluntários tem menos de 18 anos, e o menor deles tem só sete e se inscreveu junto com outros membros de sua família".

"Nos formulários de inscrição não há limite de idade, e os voluntários, que não precisam declarar profissão nem escolaridade, podem se registrar dando nome, sobrenome, data de nascimento, número de identidade, identidade do pai e um telefone de contato", detalhou Samadi.

Segundo o diário "Sharqh", nos formulários de inscrição é possível escolher entre uma das três opções propostas: realizar atentados suicidas contra as forças americanas nos lugares santos do Iraque, contra os israelenses na Palestina ou contra Salman Rushdie, considerado blasfemo pelo regime teocrático do Irã.

No entanto, os voluntários não entrarão em ação sem receber a autorização do líder máximo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

Samadi definiu um atentado terrorista como "uma ação com arma branca ou arma de fogo, na qual seu autor sabe que vai morrer e o faz de forma voluntária".

"O martírio só tem significado no islamismo e nós, por exemplo, não reconhecemos como mártires os suicidas japoneses da Segunda Guerra Mundial", ressaltou. Samadi afirmou que sua organização, criada há seis meses em Teerã, tem o objetivo de lutar contra o "afastamento" do Irã dos movimentos islâmicos do resto do mundo. Segundo o porta-voz da ONG, esse "afastamento" se iniciou em janeiro passado, quando as autoridades iranianas rebatizaram com o nome de Intifada a rua de Teerã que até então se chamava Islambouli, em honra do radical islâmico que assassinou o presidente egípcio Anuar Sadat em 1981.

"Esta é uma organização cultural, cujo principal propósito é demonstrar que o Movimento Islâmico do Irã está unido a outros movimentos islâmicos, especialmente ao da Palestina" afirmou. ¿É uma entidade que depende do povo e não tem nada a ver com o governo", acrescentou, antes de advertir que o ministério de Assuntos Exteriores da República Islâmica não deve adotar medidas contra a organização.

Samadi é um antigo redator do periódico "Jomhurie Eslami" (República Islâmica), enquanto o "Sharqh" é um diário que aborda temas políticos, econômicos, culturais, sociológicos e esportivos, e é dirigido pelo jornalista Mehdi Rahmanian.

Embora os chamados à luta no Iraque e na Palestina façam parte do discurso de todos os grupos fundamentalistas do Islã, a inclusão de Salman Rushdie como terceiro alvo potencial de atentados suicidas remete ao velho conflito entre o escritor e o regime iraniano.

Rushdie foi condenado a morte em um fátua, ou decreto religioso, ditado em 1989 pelo fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, que considerou o livro Versos Satânicos contrário ao Islã e acusou seu autor de blasfêmia.

Apesar do ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Kamal Jarazi, ter anunciado em 1998, na ONU, que seu país havia desistido das ações contra Salman Rushdie, o autor de origem indiana continua despertando a aversão dos radicais do regime teocrático iraniano.

EFE
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