Desembarque na praia visto do barco da Guarda Costeira |
"Os longos gemidos dos violinos do outono ferem meu coração com monótona languidez": o verso de Paul Verlaine repetido com insistência pela rádio BBC de Londres em 5 de junho de 1944 informou a resistência francesa e os próprios alemães que o desembarque era iminente.
A mensagem também indicava aos grupos de resistentes franceses que eles deveriam estar dispostos a explodir uma ponte, sabotar as centrais telefônicas ou derrubar árvores para bloquear estradas. Os alemães sabiam que os versos de "Canção de Outono" significavam um desembarque iminente, mas a grande pergunta era: onde?
Ajudados por seus 47 agentes duplos, os serviços secretos britânicos (MI5) multiplicaram as pistas falsas nos meses precedentes ao Dia D para convencer os inimigos de que o desembarque aconteceria, mas sem nunca mencionar as praias da Normandia. Dois noruegueses que trabalhavam para os britânicos juraram que haviam visto um exército de 250 mil homens na Escócia prestes a invadir a Noruega.
Wulf Schmidt, outro agente duplo, garantiu que um grande exército estava preparado no sul da Inglaterra para desembarcar em "Pas-de-Calais". Schmidt transmitiu mais de mil mensagens aos alemães e os convenceu a respeito da existência de um exército imaginário, chamado 'First US Army Group' (Fusag), que estaria preparado para atacar a partir do sul da Inglaterra.
Vôos de reconhecimento da aviação alemã confirmaram suas informações: em terra haviam tanques, caminhões, navios, pistas de aviação e tropas. No ar, o deslocamento era impressionante, mas no solo, a realidade era bem diferente. O Fusag, que em teoria tinha 11 divisões, era composto por soldados de madeira, barcos e aviões do mesmo material, metralhadoras com balas de borrachas e tanques infláveis: tudo era 100% falso e obra do audaz coronel John Henry Bevan, dos serviços secretos britânicos.
Os depósitos e diques petroleiros haviam sido criados por um arquiteto e um técnico de cinema e, preocupados com todos os detalhes, os britânicos prepararam caçarolas que soltavam fumaça falsa no acampamento. Além disso, soldados veteranos simulavam manobras e durante a noite um automóvel deixava no chão as marcas das rodas de todo tipo de veículos.
O Fusag era tão crível que mesmo depois de 6 de junho, Adolf Hitler continuava convencido de que o Dia D na Normandia havia sido o prelúdio de um verdadeiro desembarque, que aconteceria em "Pas-de-Calais, onde o grosso de suas tropas continuava esperando.
Os aliados não se contentaram em manter segredo sobre o lugar do desembarque, mas também semearam a dúvida a respeito da data. Por isso, um lugar-tenente britânico que se parecia muito com o general Bernard Montgomery foi treinado para saudar e falar como ele. Doze dias antes do Dia D, ele saiu de Londres e seguiu para Argel, via Gibraltar.
Para os alemães, a presença de Montgomery no norte da África descartava a possibilidade de desembarque imediato na região da Mancha. Com tramas deste tipo, o coronel Bevan e sua equipe transformaram o desembarque da Normandia em uma verdadeira operação de desinformação, digna de um bom filme de espiões. O autor americano Larry Collins se inspirou nessa história para escrever "Fall from Grace".
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