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Coração de Luis XVII será enterrado após 200 anos

03 de junho de 2004 15h36

Um pequeno coração humano será sepultado na próxima semana com a missão de enterrar consigo 200 anos de mitos e suspeitas. O órgão pertencia a Luis XVII, o menino de 10 anos que foi enclausurado e maltratado até morrer de tuberculose pelo simples fato de ser herdeiro do trono francês.

O coração será enterrado no túmulo real da França, no norte de Paris, depois que um teste de DNA convenceu muitos historiadores que o pequeno coração petrificado é realmente um "órgão real". Em cerimônias realizadas na próxima segunda e terça-feira, a realeza européia vai homenagear a criança que se tornou refém da Revolução Francesa. Após um funeral na terça-feira, o órgão finalmente descansará na Basílica de Saint-Denis, perto dos túmulos dos pais de Luis XVII, Maria Antonieta e Luis XVI.

A cerimônia é um reconhecimento oficial do coração real que durante 209 anos foi cercado de rumores, lendas e incertezas históricas sobre como seu dono teria morrido. Muitos historiadores insistem que o verdadeiro herdeiro fugiu da prisão e quem teria morrido seria seu substituto. "Eu sempre gostei de acreditar na história em que a criança sobrevive", disse o príncipe Carlos-Emanuel de Bourbon de Parma, um dos mais próximos parentes vivos de Luis XVII. "Hoje, a ciencia provou o contrário."

A curta vida de Luis XVII foi uma sucessão de pesadelos. Ele perdeu os pais na guilhotina e foi encarcerado na prisão de Paris durante 3 anos. Durante a maior parte deste tempo foi confinado em uma solitária imunda e escura. O menino finalmente morreu de tuberculose em 1795, com o corpo coberto de feridas e sarna. Instantaneamente, começaram a correr rumores de que o verdadeiro herdeiro havia sido retirado da prisão e uma outra criança colocada em seu lugar.

O pequeno cadáver foi atirado em uma vala comum - mas antes o médico que fez a autópsia secretamente retirou o coração real seguindo a tradição de preservar os corações de reis separados de seus corpos. O médico contrabandeou o órgão para fora da prisão envolto em um lenço e o guardou como curiosidade. O legista o colocou em um vaso de cristal com álcool em uma prateleira e o bizarro souvenir acabou sendo roubado por um de seus alunos. Em seu leito de morte, o ladrão pediu a esposa que devolvesse o coração à família do pequeno rei.

Depois da Restauração, o coração foi oferecido a vários membros da família real, e finalmente aceito pelos Bourbons da Espanha. Eles o devolveram a Paris em 1975, e desde então o órgão preservado está na Basilica de Saint-Denis. Mas ele sempre foi reconhecido apenas como o coração de uma criança que mnorreu na prisão e não necessariamente como o coração do herdeiro do trono da França.

Antes dos exames genéticos, muitas pessoas simplesmente se recusavam a acreditar que o coração real tivesse sobrevivido 200 anos passando de pessoa para pessoa. Mas quando os cientistas de duas universidades da Europa compararam o DNA do menino morto com o de uma mecha de cabelo de Maria Antonieta a ligação foi confirmada.

Os resultados, entretanto, não convenceram os céticos que ainda alegam que o coração pode pertencer ao irmão de Louis XVII, que morreu em 1789. Historiadores não acreditam nesta possibilidade já que este coração não poderia ter sido retirado e preservado de acordo com a tradição real. Sempre haverão dúvidas já que a história de Louis XVII é tão horrível que muitas pessoas preferem um final feliz.
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