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Livni se mostra severa e elegante em campanha

16 de setembro de 2008 12h04 atualizado às 12h54

Um olhar azul penetrante, lábios cerrados, um tailleur preto com uma blusa branca: o retrato oficial da campanha de Tzipi Livni é fiel à personagem, exibindo severidade e elegância a um só tempo. No domingo, 14 de setembro, para seu último comício antes das primárias do partido Kadima, que acontecem na quarta-feira, a ministra do Exterior de Israel confirmou essa reputação com um discurso desprovido de floreios ou momentos emotivos.

Diante de 500 partidários reunidos em um salão do parque de exposições de Tel Aviv, a favorita nas pesquisas eleitorais fez questão de ignorar as provocações dos adversários e se dedicou inteiramente a promover sua "visão" e seu "senso de responsabilidade". A dois dias de um escrutínio que pode servir como passo final em sua caminhada para o posto de primeira-ministra, ela recapitulou as linhas gerais de seu programa de governo, balanceado de maneira perfeitamente centrista entre "segurança" e ¿concessões¿.

"Não existem mais direita e esquerda, não existem mais ala patriótica e ala pacifista em Israel", declarou Livni no palanque. "Para manter um Estado judaico e democrático, é preciso criar um Estado palestino. Nós reforçaremos nossa segurança enquanto avançamos para a paz".

A novidade em seu discurso é a insistência quanto à mobilização do eleitorado. Ainda que as pesquisas de opinião pública atribuam a Livni vantagem de 10% sobre o seu principal concorrente no partido, o ministro dos Transportes Shaul Mofaz, Livni convocou os militantes do partido a comparecer em massa à primária.

"Não escutem aquilo que as pesquisas dizem, que já garanti a vitória. Na quarta-feira, nós precisaremos de cada voto. É preciso que vocês se comportem como se tudo dependesse de cada um de vocês", declarou Livni.

Diante desse apelo, fica a impressão, reforçada por diversas reportagens na mídia israelense, de que Mofaz dispõe de uma máquina partidária mais organizada que a de Livni. Essa vantagem poderia permitir que, no dia da primária, ele compense sua menor popularidade por um maior comparecimento de seus partidários.

Os comentaristas israelenses não se esquecem da derrota de Shimon Peres, o atual chefe de Estado, na primária trabalhista de 2005. Considerado vencedor nas pesquisas, o veterano líder político terminou derrotado nas urnas pelo ex-líder sindical Amir Peretz, cuja equipe de campanha conduziu levar às urnas um número maior de eleitores.

Outro motivo de inquietação para Livni é o risco de insatisfação do eleitorado do Kadima com relação à avalanche de escândalos que cerca o ex-primeiro ministro Ehud Olmert. "Provarei aos que duvidam que é possível se comportar de outra maneira", prometeu a candidata. A platéia, formada por militantes da base do partido, recebeu essa declaração com aplausos discretos. Os slogans martelados por um punhado de jovens militantes postados nos fundos da sala não encontraram repercussão.

Ao final do discurso, Livni e sua equipe ouviram o hino nacional de Israel; depois, a candidata saiu cumprimentando os espectadores, e foi conduzida ao seu carro pelos guarda-costas. "Ela falou de coração", garantiu Eli Aflalo, o grandalhão e bigodudo ministro da Imigração. "Ela sem dúvida será nossa próxima chefe de governo". Na quarta-feira, ainda assim, ele fará campanha em seu distrito, em Afula, norte do país.

Prometeu que será "adrenalina pura", para deter qualquer surpresa desagradável.

Le Monde
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