Ultimato de opositores ameaça diálogo na Bolívia

14 de setembro de 2008 • 10h18 • atualizado às 11h19
O governadores de Tarija, Mario Cossio (esq), e de Santa Cruz, Ruben Costas, participam de uma entrevista coletiva em Santa Cruz Foto: Reuters
O governadores de Tarija, Mario Cossio (esq), e de Santa Cruz, Ruben Costas, participam de uma entrevista coletiva em Santa Cruz
14 de setembro de 2008
Foto: Reuters

O frágil diálogo de pacificação programado para este domingo na Bolívia pende por um fio, depois que o governo radicalizou a militarização das zonas de conflito e os governadores (chamados de prefeitos na Bolívia) rebeldes ameaçaram romper relações se a violência resultar em mais mortes, depois das cerca de 30 vítimas fatais já registradas na crise.

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A decisão coloca em sério risco o diálogo aberto na sexta-feira entre o governo de La Paz e o governador de Tarija, Mario Cossío, que representava os colegas de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca. "Apesar das condições precárias, estamos fazendo tudo manter o diálogo. Esperamos que o governo não agregue elementos que gerem mais incerteza", afirmou Cossio.

Os confrontos entre grupos civis de direitas e trabalhadores rurais ligados ao presidente Evo Morales reiniciaram no sábado com duros enfrentamentos pelo controle de uma estrada na cidade de Tiquipaya, en Santa Cruz. Os governadores criticaram também o estado de sítio decretado em Pando, para onde foram enviadas tropas para restabelecer a ordem.

Reconciliação frágil

Até este sábdo, a crise política já havia deixado ao menos 18 mortos. No início deste domingo, o governo confirmou que pelo menos outros dez corpos foram encontrados nos montes e no rio próximos à localidade de Porvenir, o que eleva o número de mortos para próximo de 30.

A situação preocupa os países da região, além das organizações multilaterais, que defendem uma solução pacífica à espera de uma reunião definitiva neste domingo entre governistas e opositores. No entanto, a advertência dos governadores de que "se houver um só morto ou ferido a mais acontecerá o rompimento de qualquer possibilidade de diálogo".

Longe de apresentar sinais de reconciliação, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu no sábado aos movimentos sociais que defendam "o processo de mudança" que o governo estimula ou que "morram pela pátria" diante do que considerou de tentativas conspirativas da oposição, mobilizada em cinco regiões do país.

Diante da gravidade da situação boliviana, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reunirá na segunda-feira em Santiago para examinar a crise.

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