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Jovem se mata depois de receber teste cientológico

13 de setembro de 2008 10h32 atualizado às 10h42

Instantes depois de ter em mãos os resultados dos testes psicológicos promovidos pela Cientologia, uma estudante norueguesa cometeu suicídio em Nice, no sul da França, no final de março. Kaja Gunnat Ballo jogou-se no terceiro andar do prédio onde morava, no centro da cidade.

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Ao lado de uma carta de despedida, seus pais encontraram em seu quarto o diagnóstico do tal teste: a jovem teria notas entre - 100 e zero nas avaliações sobre sua sociabilidade, humor e dinamismo, além de um índice de QI "muito limitado".

A estudante teria procurado um cientólogo três horas antes de se jogar da janela, para buscar esclarecimentos sobre o que havia lido nos próprios resultados.

Na página da igreja na Internet, o teste é disponibilizado gratuitamente. Depois de preencher os dados pessoais, incluindo endereço e telefone, o interessado é confrontado a 200 questões genéricas que supostamente procuram identificar o perfil psicológico da pessoa. "Você costuma se irritar quando alguém se atrasa a um encontro?" e "Você sempre acha que poderia ter feito melhor uma atividade?" são algumas das perguntas.

O passo seguinte é aguardar uma correspondência convocando o possível novo membro para buscar seus resultados em uma das sedes da igreja, onde um cientólogo estará esperando para dar explicações e dicas.

Na época da tragédia, a família da jovem afirmou não ter dúvidas da responsabilidade do culto na morte de Kaja e disse que o perfil descrito pelo teste era inverídico. "Ela tinha seus problemas de ordem psicológica como qualquer adolescente, mas não era nenhuma suicida e estava num momento feliz", contou o pai dela, Olav Gunnar Ballo, ao jornal Nice Matin, em março. Um processo está em andamento na Justiça francesa.

Em sua defensa, a pessoa que recebeu Kaja na igreja afirmou à polícia que a jovem pareceu não ter compreendido os resultados e por isso saiu da sede sem uma avaliação do cientólogo. Este ainda acrescentou que ela comentou ter sido internada várias vezes em decorrência de uma suposta anorexia, além de ter admitido que estava tomando anti-depressivos.

Redação Terra