Morre o promotor do caso Watergate aos 92 anos

30 de maio de 2004 • 09h40 • atualizado às 09h40

Archibald Cox, o ex-promotor responsável pelo caso Watergate, que levou à renúncia o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon em 1974, morreu aos 92 anos na manhã de ontem. A informação foi dada pela viúva Phyllis Cox na madrugada de hoje.

"Archibald morreu, sim, por causas naturais", disse ela à AFP em entrevista por telefone direto de Brooksville, Maine (EUA), acrescentando que ele sofria há muito tempo de uma debilitação física. Ainda não há data para o funeral, mas a viúva insistiu que será restrito a poucas pessoas.

Cox é recordado como a figura central do chamado Saturday Night Massacre (Massacre do sábado na noite), evento marcante do escândalo Watergate, que levou ao fim a carreira política de Nixon. Nixon foi o único presidente americano que renunciou, em 1974, depois do escândalo surgido ao ser revelada uma frustrada tentativa de colocar microfones para espionar os escritórios do Partido Democrata e a conspiração para encobrir a participação da Casa Branca nesse crime.

Nomeado para investigar o escândalo em maio de 1973, Cox usou seus poderes para ir mais fundo no caso que, num primeiro momento, parecia uma malograda tentativa de furto. Depois de se informar por uma investigação paralela do Congresso de que Nixon gravava suas conversas privadas, ordenou à Casa Branca a entrega das fitas.

No dia 8 de agosto de 1974, Richard Nixon foi pressionado a se demitir (depois de ter tentado primeiro ocultar e depois negar o episódio), ao final de vários meses de investigações legislativas e penais e enquanto se preparava um procedimento de destituição. "A primeira lição da experiência de Watergate é a convincente evidência da capacidade do povo americano de se unir num momento em que o abuso do poder político ameaça nosso sistema político, para deter os abusos e adotar reformas importantes, ainda que nunca perfeitas", recordou Cox anos depois.

Formado na Universidade de Harvard, Cox vinha de uma família famosa de juristas da Nova Inglaterra: seu bisavô, William Maxwell Evarts, defendeu o presidente Andrew Johnson num infrutífero processo de impeachment em 1868. Cox ensinou em Harvard e na Universidade de Boston. Deix, além da esposa, três filhos.

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