Notícias » Mundo » Mundo

 França volta à lista das maiores taxas de natalidades
31 de agosto de 2008 09h05 atualizado em 01 de setembro de 2008 às 14h36

Com uma taxa de duas crianças para cada mulher em 2006 e na contramão das estatísticas européias, os franceses encabeçam a lista de natalidade no continente, divulgou nesta semana uma pesquisa do Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos). Fazia 26 anos que nenhum país europeu chegava a esse índice - hoje a média no continente é de 1,52 criança por mulher.

» China pode rever política do filho único
» Brasil: PAC da Saúde quer laquear 51 mil
» Opine sobre o assunto
» CORREÇÃO: França volta à lista das maiores taxas de natalidades

A Irlanda segue de perto a França, com 1,92 de taxa de fecundidade por mulher. A Alemanha é o país que tem o menor índice, de 1,33. Os números provisórios para 2007 apontam para a mesma tendência, de fecundidade de 1,98 bebês por mulher na França e 1,37 na Alemanha.

Ao mesmo tempo, e contraditoriamente, o número de casamentos na França está em queda - 274 mil uniões celebradas em 2006, contra 266,5 mil no ano seguinte - e a população está cada vez mais velha. Em 1º de janeiro do ano passado, 10,3 milhões de pessoas tinham mais de 65 anos no país, o que representa 16,4% da população - contra 15% em 1994. Do lado oposto, dos jovens, acontece o fenômeno contrário: apesar do aumento do número de nascimentos, a taxa de jovens baixou de 26,7% em 1994 para 25% no primeiro dia de 2007.

A esperança de vida entre as mulheres também impressiona: liderando a lista européia ao lado das espanholas, as francesas vivem em média até os 84,5 anos. Já entre os homens a esperança de vida é de 77,6 anos, índice mediano na escala do continente e semelhante ao dos alemães, gregos ou irlandeses. Com 61.538 milhões de habitantes, a França é responsável por 13% da população da União Européia, composta por 27 países.

Os números indicam um retrato da mulher francesa moderna: elas casam mais tarde, trabalham fora, vivem mais, e nem por isso deixam de ter mais filhos. É o caso da jornalista Delphine Rigaud, de Paris. Aos 25 anos e membro de uma família composta por cinco irmãos, ela planeja ter "pelo menos três filhos". "Mas nenhum antes de me casar!", adverte a jovem, para quem matrimônio é uma instituição incontornável. Antes de formar sua família, Delphine ainda planeja já estar com a vida profissional bem-encaminhada e conta com a ajuda do Estado francês para poder oferecer as melhores condições de vida possíveis aos filhos. "Em diversos outros países da Europa, ter mais do que dois filhos é inviável financeiramente", avalia.

O fator religião pouco influencia nas escolhas das francesas, avalia o chefe da Divisão Demográfica do Insee, Stéphane Jugnot. "É normal que a Irlanda esteja logo atrás da França na taxa de fecundidade, mas as razões são completamente diferentes. Enquanto o catolicismo influencia bastante a vida das irlandesas, na França são as políticas de auxílio financeiro do Estado que impulsionam as mulheres a terem quantos filhos desejam", explicou Jugnot ao Terra.

No que diz respeito ao casamento, hoje as francesas optam por oficializar a primeira união aos 30 anos, enquanto que em 1997 elas diziam o "sim" aos 27,4 anos. A pesquisa ainda aponta que é entre o terceiro e o sexto ano de casamento o período de maior risco de separação entre os casais.

Convidada a comentar os números em um programa de televisão, a secretária de Estado para a Família, Nadine Morano, disse esperar que os índices de fecundidade sejam ainda mais positivos nos próximos anos, graças a uma política estatal de auxílio às famílias. "Nós ainda podemos melhorar essa taxa de fecundidade. É claro que podemos fazer melhor", disse, lembrando que o governo francês gasta por ano 83 milhões de euros (R$198,8 milhões) em política familiar.

Os investimentos vêm em boa hora. Também nesta semana, uma outra pesquisa, realizada pela da Eurostat, apontou que em sete anos o número de óbitos será superior ao de nascimentos na União Européia, e a porcentagem de idosos será de 30% em 2060 - quase o dobro dos atuais 17%.

Para Jugnot, essa má notícia não deve influenciar no plano demográfico francês. "Este estudo mostra a situação média européia num aspecto em que a França desempenha um papel particular, no lado oposto ao dos demais países. Felizmente, nosso país sempre esteve entre os com maiores taxas de fecundidade e por isso com um saldo positivo no balanço mortes-nascimentos."

Redação Terra