Vladimir Putin será o primeiro líder russo a participar das cerimônias do Dia D
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"É um sinal das novas relações entre a Rússia e o Ocidente", disse Yevgeny Volk, chefe da Fundação do Patrimônio de Moscou. "A importância do Dia D sempre foi minimizada na Rússia. A intenção de Putin de prestar homenagem mostra uma nova visão".
A cada dez anos, líderes mundiais se reúnem na Normandia para memoriais. Até então, nenhum líder soviético havia sido convidado, nem mesmo Boris Yeltsin, o primeiro presidente pós-soviético. Nesse ano, o convite a Putin foi feito pelo presidente francês Jacques Chirac e por Gerhard Schroeder, o primeiro chanceler alemão a participar de um memorial na Normandia.
Generais soviéticos e muitos historiadores militares argumentam que o Dia D, a maior e mais ambiciosa invasão da história, é uma fato de segunda importância da II Guerra, pois a máquina militar nazista já estava quebrada depois das batalhas de Stalingrado e Kursk. Para os russos, o Dia D é popularmente conhecido como a abertura da "segunda frente", que veio após a morte de milhões de soldados do Exército Vermelho que derrotaram os nazistas.
De junho de 1941, quando Hitler quebrou seu pacto de não-agressão com Moscou e atacou a União Soviética, até o final da guerra, em maio de 1945, aproximadamente 9 milhões de soldados soviéticos foram mortos - três vezes mais do que toda a força militar Aliada junta.
"Seria errado dizer que os aliados não estavam nos ajudando, mas seria igualmente incorreto afirmar que eles estavam nos ajudando ativamente", disse o marechal Dmitry Yazov, ex-ministro da Defesa soviético que lutou durante a guerra. "Eles apenas abriram a segunda fronte menos de um ano antes da vitória".
Enquanto os alemães avançavam pela Rússia em 1941 e 1942, o ditador soviético Josef Stalin levantou fortes esforços para deter o exército de Hitler, a partir do leste, dizendo que as campanhas aliadas na África e no Mediterrâneo eram insuficientes. O marechal Georgy Zhukov, que liderou a vitória soviética, asperamente expressou o aborrecimento de Moscou para com os Estados Unidos e a Inglaterra em seus escritos.
"Eles podiam ter aberto a segunda frente em 1943, mas deliberadamente decidiram não se apressar, esperando por uma derrota alemã mais significante, e, por outro lado, por um grande desgaste das forças armadas soviéticas", escreveu Zhukov.
Yazov, ecoando uma opinião geral, disse que o Dia D foi lançado por medo de que o Exército Vermelho pudesse varrer a Europa, estabelecendo o domínio soviético. "Eles viram que nós podíamos derrotar a Alemanha, sozinhos", disse.
Desde o colapso da União Soviética em 1991, historiadores e a imprensa deram mais atenção para a contribuição dos aliados ocidentais. Em um discurso pela vitória russa, em 1995, Yeltsin elogiou a "coragem e sabedoria" dos aliados soviéticos.
O museu de guerra de Moscou Victory Park agora exibe materiais relacionados ao Dia D e o filme "O Resgate do Soldado Ryan" passou nos cinemas e na televisão estatal russa.
- Redação Terra


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