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Católicos não perdoam união 'apressada' de Sarkozy

23 de agosto de 2008 22h18 atualizado às 22h25

Os católicos praticantes não perdoaram a rápida ligação de Nicolas Sarkozy a Carla Bruni, oficializada apenas quatro meses após o fim do casamento do presidente francês com Cecília Albéniz, com que fora casado por 11 anos. Um pesquisa mostra que o índice de confiança dos católicos no presidente francês caiu de 83%, no início do seu governo, a 57%, em julho passado - o que representa uma queda de 68% no número de pessoas que apostam no sucesso no chefe de Estado.

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Além da separação e do novo casamento, o estudo aponta que fatos isolados como o presidente ter verificado sua caixa postal do celular em pleno encontro com o papa Bento XVI também contribuíram para a queda brusca de popularidade entre os seguidores da religião, a mais popular na França.

Nos últimos seis meses, o índice de confiança dos católicos no presidente se manteve em média de 56%. Foi precisamente as sondagens realizadas entre dezembro de 2007 e fevereiro deste ano que puxaram o resultado em definitivo para baixo, aponta o retrospecto das pesquisas, que de maio - posse de Sarkozy na presidência - a novembro apontavam valores em torno dos 80%.

"A despencada correspondente ao anúncio da relação dele com Carla Bruni e à divulgação das fotos do casal na Disneylândia de Paris, em dezembro", explica Jérôme Fourquet, diretor-adjunto do Departamento de Opinião do Ifop, o instituto responsável pela pesquisa. Fourquet ressalta que a imagem do presidente consultando as mensagens de texto no celular durante um encontro com o pontífice, ocorrido no mesmo mês, desencadeou de vez a desconfiança dos católicos face a Sarkozy, embora 84% digam ter aprovado o divórcio do casal presidencial.

No entanto, quando o conservador decide oficializar sua relação com a nova namorada, mais uma vez os católicos ficam com os pés atrás: enquanto 5% dos franceses em geral rejeitaram a nova união, entre os católicos esse índice foi de 15%.

Desde então, o presidente tenta reverter sua imagem frente a este eleitorado, que responde por estimados 53% da população - os índices relativos à quantidade de fiéis de cada religião na França não são exatos porque, devido à laicidade (separação completa entre Estado e Igreja), este tipo de pesquisa é proibido no país.

Contudo, mais uma vez, Sarkozy erra na estratégia ao colocar em questão a laicidade e fazer discursos pró-católicos. Como a laicidade é um dos valores fundamentais da República francesa, à qual a população é estritamente ligada, o grau de confiança no presidente voltou a cair ainda mais, chegando a 42% em março. "Os franceses, inclusive os católicos, reprovaram ardentemente a evocação, feita pelo presidente, das 'raízes cristãs da França'. Podemos concluir que os franceses são mais apegados aos valores da República, neste caso, a laicidade, do que às suas opções religiosas particulares", afirma Fourquet.

No que diz respeito às outras religiões, a pesquisa apontou que, nos últimos seis meses, em média 46% dos protestantes depositam confiança no presidente (contra 38% dos franceses em geral), e que a religião que menos deposita confiança no chefe de Estado é a muçulmana, na qual a taxa é de apenas 21% entre os praticantes.

Redação Terra