Durante a cerimônia, os noivos não deixaram de trocar sorrisos |
"Sim, estamos decididos", responderam os noivos ao cardeal arcebispo de Madri, Antonio María Rouco Varela, oficiante da cerimônia, quando este lhes perguntou: "estão decididos a se amar e respeitar durante toda a vida?". "Eu, Felipe, recebo a ti, Letizia, como esposa e me entrego a ti. E prometo ser-te fiel na prosperidade e na adversidade, na saúde e na enfermidade, todos os dias de minha vida", disse o herdeiro do trono espanhol, tomando as mãos de sua agora esposa, que repetiu a mesma fórmula, a mais longa do ritual católico.
O herdeiro da coroa, usando o uniforme de gala do Exército de Terra, do qual é comandante, havia chegado à catedral pouco antes das 11h locais (6h Brasília), atravessando a pé o Pátio da Armería, vindo do Palácio Real com sua mãe, a rainha Sofía, sob uma chuva incessante, enquanto repicavam os cinco sinos da Almudena. Vinte minutos depois e devido à chuva, a noiva chegou em um Rolls Royce negro acompanhada por seu pai, suas damas de honra e seis pagens, sobrinhos dela e de Felipe.
E finalmente se desfez o mistério do vestido de noiva: um longo de seda branca perolada com gola chaminé, do figurinista espanhol Manuel Pertegaz. Letizia entrou na catedral pelo braço de seu pai e padrinho, Jesús Ortiz, enquanto soavam os acordes do "Concerto para órgão opus 7 nº 3" de Haendel. No altar, a esperava um emocionado príncipe Felipe.
Os noivos permaneceram durante quase toda a cerimônia com o semblante sério, um pouco de emoção, sorrisos e olhares cúmplices, mas sem lágrimas, como ocorreu há uma semana com o príncipe Frederico da Dinamarca e Mary Donaldson, quando se casaram em Copenhague. A cerimônia, que durou uma hora e quinze minutos, terminou com a Aleluia de Haendel, interpretada pelo Coro Nacional e Orquestra da Rádio Televisão Espanhola.
Enquanto voltavam a repicar os sinos da catedral, em celebração do casamento do século na Espanha, os recém-casados deixaram o local e embarcaram em um carro rumo ao Palácio Real, a uns 50 metros, atravessando o Pátio da Armería, onde se concentraram centenas de pessoas. A bordo de um Rolls Royce Phantom acondicionado com uma cabine de vidro blindado e escoltado por guardas reais em motos, os noivos iniciaram um percurso de sete quilômetros entre a catedral da Almudena e a Basílica de Nossa Senhora de Atocha, protetora da família real desde 1643, aonde a agora princesa de Asturias ofereceu seu buquê à Vírgem.
Milhares de madrilenhos esperaram durante várias horas a passagem do cortejo nupcial pela Grande Via, a Rua de Alcalá e o Passeio do Prado, embora muito por baixo do milhão e meio esperado pelos organizadores. Devido ao mau tempo, muitos preferiram acompanhar a cerimônia pela televisão, como os 1,2 bilhão de espectadores previstos em todo o mundo. Após o percurso pela cidade, os noivos retornaram ao Palácio Real para o banquete nupcial, mas antes foram a um balcão saudar os madrilenhos.
Convidados ilustres
Pelo menos 15 chefes de Estado e de Governo e os representantes de 30 casas reais figuravam entre os convidados, que começaram a chegar ao templo duas horas antes da cerimônia. Os presidentes da Nicarágua, Enrique Bolaños, do Equador, Lucio Gutiérrez, do Panamá, Mireya Moscoso, de El Salvador, Francisco Flores, e da Colômbia, Alvaro Uribe. Sete primeiras damas latino-americanas também assistiram ao casamento, algumas representando seus maridos.
Representantes das casas reais da Noruega, Holanda Bélgica, Grã-Bretanha, Jordânia, Mônaco, Suécia, Japão e Dinamarca, entre outras, estavam no templo, onde as damas vestidas de curto, como manda o protocolo, exibiam cores pastéis. Entre os convidados, também figuravam o escritor peruano Mario Vargas Llosa, o ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) Juan Antonio Samaranch, o tenor Plácido Domingo, o cantor Miguel Bosé, o astronauta Pedro Duque e o presidente do Governo espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero. O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, também estavam na Almudena.
Precisamente 17,7 mil policiais nacionais e guardas civis, além de uns 200 atiradores de elite, fizeram parte do impressionante esquema de segurança mobilizado para o casamento real e reforçado depois dos atentados de 11 de março em Madri, que causaram 191 mortos. O espaço aéreo de Madri permanecerá fechado até as 20h locais (17h Brasília) do domingo, vigiado por casas F-18, um avião radar Awacs, radares de superfície e lança-mísseis terra-ar.
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