Madri pára para o casamento de Felipe e Letizia

22 de maio de 2004 • 07h23 • atualizado às 07h23
Durante a cerimônia, os noivos não deixaram de trocar sorrisos Foto: AP
Durante a cerimônia, os noivos não deixaram de trocar sorrisos
22 de maio de 2004
Foto: AP

O príncipe Felipe de Borbón e Letizia Ortiz se casaram hoje na catedral da Almudena, na presença de mais de 1,6 mil convidados, em uma cerimônia sóbria, sem lágrimas, enquanto milhares de madrilenhos esperavam sob uma chuva torrencial a passagem do cortejo nupcial em uma Madri engalanada e blindada pela polícia.

"Sim, estamos decididos", responderam os noivos ao cardeal arcebispo de Madri, Antonio María Rouco Varela, oficiante da cerimônia, quando este lhes perguntou: "estão decididos a se amar e respeitar durante toda a vida?". "Eu, Felipe, recebo a ti, Letizia, como esposa e me entrego a ti. E prometo ser-te fiel na prosperidade e na adversidade, na saúde e na enfermidade, todos os dias de minha vida", disse o herdeiro do trono espanhol, tomando as mãos de sua agora esposa, que repetiu a mesma fórmula, a mais longa do ritual católico.

O herdeiro da coroa, usando o uniforme de gala do Exército de Terra, do qual é comandante, havia chegado à catedral pouco antes das 11h locais (6h Brasília), atravessando a pé o Pátio da Armería, vindo do Palácio Real com sua mãe, a rainha Sofía, sob uma chuva incessante, enquanto repicavam os cinco sinos da Almudena. Vinte minutos depois e devido à chuva, a noiva chegou em um Rolls Royce negro acompanhada por seu pai, suas damas de honra e seis pagens, sobrinhos dela e de Felipe.

E finalmente se desfez o mistério do vestido de noiva: um longo de seda branca perolada com gola chaminé, do figurinista espanhol Manuel Pertegaz. Letizia entrou na catedral pelo braço de seu pai e padrinho, Jesús Ortiz, enquanto soavam os acordes do "Concerto para órgão opus 7 nº 3" de Haendel. No altar, a esperava um emocionado príncipe Felipe.

Os noivos permaneceram durante quase toda a cerimônia com o semblante sério, um pouco de emoção, sorrisos e olhares cúmplices, mas sem lágrimas, como ocorreu há uma semana com o príncipe Frederico da Dinamarca e Mary Donaldson, quando se casaram em Copenhague. A cerimônia, que durou uma hora e quinze minutos, terminou com a Aleluia de Haendel, interpretada pelo Coro Nacional e Orquestra da Rádio Televisão Espanhola.

Enquanto voltavam a repicar os sinos da catedral, em celebração do casamento do século na Espanha, os recém-casados deixaram o local e embarcaram em um carro rumo ao Palácio Real, a uns 50 metros, atravessando o Pátio da Armería, onde se concentraram centenas de pessoas. A bordo de um Rolls Royce Phantom acondicionado com uma cabine de vidro blindado e escoltado por guardas reais em motos, os noivos iniciaram um percurso de sete quilômetros entre a catedral da Almudena e a Basílica de Nossa Senhora de Atocha, protetora da família real desde 1643, aonde a agora princesa de Asturias ofereceu seu buquê à Vírgem.

Milhares de madrilenhos esperaram durante várias horas a passagem do cortejo nupcial pela Grande Via, a Rua de Alcalá e o Passeio do Prado, embora muito por baixo do milhão e meio esperado pelos organizadores. Devido ao mau tempo, muitos preferiram acompanhar a cerimônia pela televisão, como os 1,2 bilhão de espectadores previstos em todo o mundo. Após o percurso pela cidade, os noivos retornaram ao Palácio Real para o banquete nupcial, mas antes foram a um balcão saudar os madrilenhos.

Convidados ilustres
Pelo menos 15 chefes de Estado e de Governo e os representantes de 30 casas reais figuravam entre os convidados, que começaram a chegar ao templo duas horas antes da cerimônia. Os presidentes da Nicarágua, Enrique Bolaños, do Equador, Lucio Gutiérrez, do Panamá, Mireya Moscoso, de El Salvador, Francisco Flores, e da Colômbia, Alvaro Uribe. Sete primeiras damas latino-americanas também assistiram ao casamento, algumas representando seus maridos.

Representantes das casas reais da Noruega, Holanda Bélgica, Grã-Bretanha, Jordânia, Mônaco, Suécia, Japão e Dinamarca, entre outras, estavam no templo, onde as damas vestidas de curto, como manda o protocolo, exibiam cores pastéis. Entre os convidados, também figuravam o escritor peruano Mario Vargas Llosa, o ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) Juan Antonio Samaranch, o tenor Plácido Domingo, o cantor Miguel Bosé, o astronauta Pedro Duque e o presidente do Governo espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero. O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, também estavam na Almudena.

Precisamente 17,7 mil policiais nacionais e guardas civis, além de uns 200 atiradores de elite, fizeram parte do impressionante esquema de segurança mobilizado para o casamento real e reforçado depois dos atentados de 11 de março em Madri, que causaram 191 mortos. O espaço aéreo de Madri permanecerá fechado até as 20h locais (17h Brasília) do domingo, vigiado por casas F-18, um avião radar Awacs, radares de superfície e lança-mísseis terra-ar.

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