EUA temem ataque biológico ou químico da Al-Qaeda

19 de maio de 2004 • 16h44 • atualizado às 16h41

O Pentágono realizou hoje a simulação de um ataque biológico ou químico, enquanto o governo do presidente George W. Bush advertia que o grupo terrorista Al-Qaeda pode realizar uma ação com esse tipo de armas no território americano.

O secretário de Segurança Nacional, Tom Ridge, em uma entrevista ao programa "Today", do canal de televisão NBC, destacou, no entanto, que os Estados Unidos estão, agora, muito mais bem preparado para reagir a um eventual ataque terrorista.

Ridge, que hoje se apresentava em Nova York à Comissão legislativa bipartidária que investiga os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, disse que "nosso trabalho é cogitar todas as possibilidades".

Ele ressaltou, no entanto, que os EUA "não podem se dar o luxo de ver a organização Al Qaeda e adivinhar que tipo de armas ela poderia usar", motivo pelo qual disse que diariamente "nos preocupamos em estar mais bem preparados para agir ante ataques químicos ou biológicos".

Em declarações à imprensa nos EUA, o chefe de inteligência no Departamento de Segurança Nacional, o general reformado Patrick Hughes, explicou que "o perigo de um ataque terrorista com compostos químicos ou biológicos aumentará nos próximos meses".

Hughes acrescentou que, desde setembro de 2001, os Estados Unidos melhoraram muito sua capacidade para antecipar e prevenir grandes ataques terroristas mas "o fato de que diariamente são criados terroristas novos nas ruas do Oriente Médio é temível".

Tanto Ridge como Hughes deixaram claro que os EUA não vão baixar a guarda frente a este assunto e que a simulação realizada por quatro horas hoje no Pentágono é prova disso.

Os especialistas trabalharam utilizando a planta de calefação e ar condicionado do edifício do Departamento de Defesa e realizaram simulações de ataques com agentes químicos e biológicos em instalações que podem atrair a atenção dos terroristas.

O Pentágono denominou esta simulação de "Gallant Fox II" (a primeira aconteceu em julho de 2003), nome de um cavalo que ganhou a Cora Tripla (o derby de Kentucky, o de Belmont Stakes, e o de Preakness Stakes em 1930).

Durante o exercício, a Força de Proteção do Pentágono (PFPA, em inglês) coordenou outras agências federais do Estado de Virgínia e do Condado de Arlington nas operações que fariam se o edifício fosse alvo de um ataque terrorista.

Em 11 de setembro de 2001, um avião da American Airlines controlado por um comando terrorista se chocou contra um dos cinco lados do edifício, causando a morte de 184 pessoas.

No Pentágono, um dos maiores edifícios de escritórios do mundo, trabalham diariamente cerca de 24.000 pessoas.

O edifício do Departamento de Defesa, que tem mais de 344.000 metros quadrados de escritórios, foi construído em 16 meses no início da II Guerra Mundial por 83 milhões de dólares da época.

Agora, encontra-se em uma fase de remodelação que acabará em 2010, custa cerca de 3 bilhões de dólares e incluiu a instalação nas fachadas externas de janelas de quase 4 centímetros de espessura com vidros que pesam 225 quilos.

A simulação "Gallant Fox II" não incluiu, como na primeira versão, a evacuação do pessoal do Pentágono. Somente alguns empregados tiveram que se reunir em algumas áreas dentro deste edifício como parte do exercício.

Nos ensaios, os militares liberaram um gás inócuo -hexafluoruro de enxofre- nas proximidades do edifício, que tem sete andares sobre a superfície e muitos outros sob a terra.

Os militares usaram sensores para seguir o fluxo do gás dentro e ao redor do edifício para determinar como ele circula pelo sistema de ventilação do Pentágono.

Dessa forma, os especialistas puderam simular a forma como um agente químico ou biológico se difundiria em um ataque ao edifício.

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