A Justiça espanhola acusou três argelinos de pertencerem à Al-Qaeda e de integrarem uma rede responsável pelo recrutamento de ativistas em toda a Europa para lutarem contra as forças de ocupação no Iraque, revelaram hoje documentos processuais. O juiz Baltasar Garzón disse que a mobilização de insurgentes era dirigida por Abu Musab Al-Zarqawi, cujo grupo assumiu a responsabilidade pela recente decapitação de um refém americano e pelo assassinato do chefe do Conselho de Governo do Iraque.
Zarqawi, nascido na Jordânia, surgiu há pouco tempo como o mais proeminente membro da Al Qaeda na luta contra a ocupação norte-americana no Iraque. Os três argelinos, junto com um espanhol acusado de tê-los auxiliado, foram detidos em várias partes da Espanha na sexta-feira por ordem de Garzón.
O juiz também estabeleceu ligações entre os acusados e a célula de Hamburgo, acusada de ter realizado os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Garzón acusou um dos argelinos, Samir Mahdjoub, de ter ajudado outros a "distribuir dinheiro para financiar o envio de combatentes para o Iraque, usando a infra-estrutura do grupo Ansar Al-Islam em outros países, como a Itália e a Síria." O Ansar Al-Islam é um grupo ligado à Al-Qaeda e que atua no Iraque.
O juiz também acusou Mahdjoub e os outros dois argelinos, Redouane Zenimi e Mohamed Ayat, de liderar uma célula espanhola da rede comandada por Osama bin Laden. A investigação chefiada por Garzón é diferente daquela realizada por um outro juiz sobre os atentados de 11 de março ocorridos em Madri e no qual 191 pessoas foram mortas.